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Fernando Collor preocupado com os rumos do país


Fernando Collor preocupado com os rumos do país

Preocupado com os rumos da política e da economia brasileira, o ex-presidente e hoje senador por Alagoas, Fernando Collor de Mello (foto), considera oportuna e civilizada a possibilidade de uma conversa entre os ex-presidentes do país com o presidente Jair Bolsonaro. A proposta foi apresentada ontem a Collor pelo diretor do Grupo VB Comunicação, Paulo Cesar Oliveira, durante a live do Conexão Empresarial, promovida pela VB. A mesma proposta foi apresentada ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também considera importante que Bolsonaro ouça as experiências de crise vivenciadas pelos ex-presidentes para que ele possa encontrar a melhor saída para o país. Collor entende que é preciso que Bolsonaro entenda como é importante seguir a liturgia do cargo para evitar declarações como a do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que se virou na sala de reuniões para onde fica localizado o Congresso Nacional para falar que “botaria na cadeia esses vagabundos, a começar pelos ministros do Supremo Tribunal Federal”. Para ele, declarações como essa são inadmissíveis. Collor também entende que Bolsonaro precisa entender que ao ser eleito, não lhe foi conferido poder absoluto. Ele tem que cumprir o que dita a Constituição e respeitar os poderes constituídos.

 

Muitas tempestades

O ex-presidente Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente eleito diretamente após o regime militar, vencendo tradicionais políticos como o ex-deputado Ulysses Guimarães, se apresentando como o caçador de marajás e com um discurso contra a corrupção. Após dois anos e meio de governo, sofreu um processo de impeachment e foi afastado do governo. O Brasil, segundo Collor, já passou por muitas tempestades e a democracia ficou fortalecida. O atual momento é difícil, mas com alguns componentes extras e preocupantes, como o de colocar as instituições à prova como tem ocorrido. Collor disse que “as nossas instituições vêm sendo duramente atacadas e estamos vendo a gestação de uma crise institucional, com o Poder Judiciário sendo muito atacado, colocando em risco a estabilidade institucional”. A situação política foi agravada pela pandemia mundial do Covid-19, onde o Brasil vai navegando contra a correnteza, contra as ações adotadas pelos outros países e sem se importar com o que diz a ciência. Outro fator preocupante é a falta de união entre os entes federados, tornando a situação no país ainda mais confusa.

 

Episódios seguidos

Nos últimos seis ou sete finais de semana tem ocorrido manifestações com agressões aos poderes constituídos e, com apoio do presidente Jair Bolsonaro, agressões e ataques aos Poderes com uso de palavras chulas e rudes. São episódios seguidos. Nesse último final de semana causou espanto o grupo que imitou os supremacistas brancos dos Estados Unidos, a Ku Klus Klan. O que aconteceu em resposta é que um novo grupo a favor da democracia também foi às ruas, o que não vinha acontecendo. Além disso, Collor percebe movimentos em diversos setores da sociedade também se manifestando. Mas para ele, falta a participação do Poder Legislativo, que teve a sua atuação limitada devido ao isolamento social. Ao contrário do que vem acontecendo, Collor entende que a negociação deve se dar pelos canais institucionais.

 

Preocupação com a política externa

Outro assunto abordado na live do Conexão Empresarial, promovida pela VB Comunicação, foi o processo de desconstrução de todo trabalho de política externa feito pelos últimos governos e que sempre foi um dos pontos altos da política do país. Mesmo com as diferenças de programas e ideologias, até mesmo no governo do ex-presidente Lula. Collor ressaltou que o legado da política externa foi levado em consideração, desde a redemocratização do país, com observância às leis internacionais. Essa retórica agressiva adotada pelo governo Bolsonaro, deixando de lado parceiros decisivos como a Argentina e com ataques desnecessários à China, são atos extremamente preocupantes, principalmente no pós-pandemia. O país, segundo Collor tem graves problemas na área ambiental, despreza as comunidades indígenas, temas que afetam diretamente a imagem do Brasil.

 

Algumas semelhanças

Durante a live, o prefeito de Montes Claros, Humberto Souto, que foi líder de Collor na Câmara Federal, ponderou que existem muitas semelhanças entre a eleição de Collor e de Bolsonaro. Os dois foram eleitos por partidos pequenos com discurso voltado contra a corrupção. Bolsonaro seguiu na mesma linha, também foi eleito por uma pequena legenda, com um forte apelo contra a corrupção, em um momento em que a população estava cansada, com o país passando por dificuldades. Collor também queria seguir por uma linha política diferente, sem conchavos e a negociação ocorria com um a um dos deputados e com uma só canetada acabou com o SNI, órgão que mantinha a mão forte dos militares em todas as áreas do governo. Todo esse arcabouço foi desfeito em uma só canetada, segundo Humberto Souto. Nessa época, segundo ele, foram aprovados pelo menos 100 processos importantíssimos para o país. Ele lembra que o processo de impeachment aconteceu por um episódio fora do governo, protagonizado por Paulo César Faria. No seu entendimento, Bolsonaro sofre com a mesma pressão sofrida por Collor. Ele venceu todos os grandes partidos, mas conseguiu um feito que nenhum outro presidente conseguiu, o de aprovar a reforma da Previdência. Apesar de considerá-lo despreparado politicamente, o prefeito considera que é preciso unir forças para que o país sobreviva. Ele entende que falta bom senso e equilíbrio em todas as áreas. Bolsonaro afronta as pessoas, mas Souto pondera que é preciso entender que Bolsonaro está errando, mas o governo não está errando.

 

Muitas diferenças

Fernando Collor de Mello vê muitas diferenças entre o seu governo e o de Bolsonaro. Ele disse que quando assumiu, tinha um programa de governo seguido por todos os que o sucederam depois, inclusive o do PT, que lançou a Carta aos Brasileiros tendo como base a agenda apresentada por ele em 1990. A sua dificuldade foi ter participado de uma eleição solteira. Os deputados e senadores só foram eleitos sete meses depois, já com os reflexos das medidas impopulares tomadas por ele logo após assumir a presidência. Além disso, ele lembra que nunca teve problemas com os outros poderes. O seu governo, segundo Collor, nunca olhou em direção ao Congresso Nacional para depois falar nos vagabundos do STF, nem apoiou ações que remetem à Ku Klus Klan. Nesse momento de dificuldade, de onde deveriam vir os gestos de boa vontade, vê-se o governo menosprezando os governadores e chamando-os de Paraíbas, em tom pejorativo. Para Collor, o presidente Bolsonaro precisa adequar seu vocabulário e sua postura à de um presidente da República e avisa que a população também tem limite. O Conexão empresarial teve como moderador o diretor da VB Comunicação, Gustavo Cesar Oliveira. Participaram como debatedores o senador Antonio Anastasia, o deputado estadual Braulio Braz, o prefeito de Montes Claros, Humberto Souto; o empreendedor e maior investidor anjo do país, João Kepler, a empresária e influenciadora digital, Bella Falconi e o diretor geral do Grupo VB Comunicação, Paulo Cesar Oliveira. O evento é patrocinado pela Anglo American, BDMG/ Governo de Minas, D’Or Consultoria, Hermes Pardini, Mercantil do Brasil, jornal O Tempo, Pad, Tostes de Paula, Unimed-BH, Usiminas e apoio do IBRAM, JAM, KLUS. A live do Conexão Empresarial tem apoio da Band, rádio Itatiaia, revista Viver Brasil e BLOGDOPCO.

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