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Página inicial - Blog do PCO Paulo César Oliveira

Salim Mattar ainda não se filiou, mas defende a participação na política de empresários bem sucedidos


A deterioração da classe política estimula grupos a se organizarem para buscar alternativas eleitorais longe dos partidos tradicionais. Alguns empresários têm se envolvido nesse processo e são apontados como alternativa para a disputa no ano que vem. Esse é o caso do executive chaiman da Localiza, uma das maiores empresas do segmento de aluguel de carros na América Latina. Ele acompanha de perto o Partido Novo desde a sua fundação em 2015. Mas ainda não se decidiu pela assinatura da ficha de filiação, apesar de participar das decisões e nos rumos que o Novo tem tomado. Para Salim (foto) esse desgaste da classe política inibe a participação das pessoas bem intencionadas, o que, para ele, indica que é preciso mudar as regras para acabar com esse ciclo de corrupção e mau uso dos recursos públicos.

 

O desgaste da classe política está inibindo a participação e a filiação nos partidos políticos? 

Na realidade, existe um cansaço da população em relação a política em si. A política é uma coisa bonita, os atores da política é que às vezes destroem a sua imagem. Quando alguém vai para a política, ele deve ir com espírito de doação, para contribuir com as suas ideias, com seu trabalho e sua inteligência em prol de toda a comunidade. A beleza da política está nessa doação que o político faz. Só que inverteu-se o papel, não nesse governo, ou nos governos do PT. Há muitos anos, lenta e gradualmente vem sendo modificado o papel do político. Essa corrupção descoberta pela Lava Jato não é uma coisa de agora. Tem 50 anos que está vindo e agora só está aumentando de tamanho. E quando vemos na delação da Odebrecht a quantidade de políticos envolvidos, então percebemos que é uma coisa sistêmica.

 

Há um entendimento que os políticos que se elegem atualmente ou são muito famosos ou estão em algum esquema de corrupção. 

A legislação foi feita pelos políticos, então ela é deficiente, é a raposa tomando conta do galinheiro. Fizeram a legislação para eles. A lei permite que um Tiririca se eleja e puxe mais cinco com ele. As celebridades puxam votos e são estimuladas a se candidatar porque pessoas que não têm chances de se eleger entram na política com a ajuda delas. Nós temos uma legislação supérflua, voltada para o interesse desses políticos e partidos. Os políticos que legislam para si próprios, são os mesmos que instituíram o Fundo Partidário, criado com o dinheiro dos impostos que nós pagamos e que são distribuídos para os partidos. Está faltando ética, transparência, qualidade das pessoas que querem se doar, servir ao país.

 

Se as regras eleitorais e partidárias não forem alteradas, nas próximas eleições corre-se o risco de se eleger os mesmos políticos. É o que vai acontecer? 

Está tudo se encaminhando para isto. Olha o que acontece com a verba partidária: eles estão aumentando o valor para algo em torno de $R 5 bilhões ao ano, dividido entre os partidos, de acordo com o número de cadeiras no Congresso Nacional. Quem vai levar essa grande quantidade de dinheiro? O PT, o PSDB, o PMDB, PSD e PP. Os partidos que estão na lista da Odebrecht, os partidos que estão envolvidos nas falcatruas, na Lava Jato, são esses os partidos que vão receber a verba partidária. Por que eles querem esse aumento da verba? Como agora as empresas não podem doar – e não deveriam mesmo fazer doação para campanha-, essa é uma forma desses mesmos partidos continuarem no poder e sufocar os pequenos, que não terão verba para eleger os seus candidatos.

 

Algumas legendas, como é o caso do Partido Novo, não fazem uso da verba e questionam a existência do Fundo Partidário. Mas como fazer política sem dinheiro? 

A legislação que destina esta verba governamental para os partidos, foi feita para perpetuar no poder os mesmos de sempre, os que estão aí. As pessoas que estão nas manchetes de jornais todos os dias, são as que querem se perpetuar no poder. Porque eles têm essa grande verba, eles conduzem pessoas, ainda que não sejam eles, mas iguais a eles para ficarem no poder. Enquanto um partido menor, como o Novo, que recebeu a verba partidária, mas não concorda com a existência do Fundo Partidário, deixa o dinheiro depositado no Banco do Brasil. O Novo não sabe o que fazer com essa verba, porque se ela for devolvida, ela será distribuída para os partidos. Então, ele não pode devolver, porque senão vai inchar a verba dos grandes partidos. O Novo está pensando, como uma das alternativas, gastar esse dinheiro em anúncios na televisão explicando para a população que “esta é a verba partidária, que nós estamos gastando para dizer que somos contra ela. Você também devia ser contra”.

 

Alguns defendem a participação de empresários na política para melhorar a gestão. O senhor acha que mudaria alguma coisa? 

Muitos falam isso porque a maioria dos deputados não passou pelo mundo dos negócios, não são gestores. Espera-se que, pela experiência adquirida ao longo dos anos, os empresários possam contribuir, reorganizando um pouco o Estado. A sociedade espera também que os empresários, por serem pessoas que já acumularam um certo patrimônio, não precisariam roubar ou fazer falcatruas. A sociedade acha que os empresários têm um nome e uma reputação a zelar, que eles construíram ao longo da vida, e que eles não vão destruir essa reputação quando estiverem no governo. Daí a grande expectativa da sociedade que tem estimulado muitos empresários a irem para o governo.

 

Como o senhor avalia a administração de João Doria, um empresário na prefeitura de São Paulo? 

É espetacular o que ele está fazendo. O estado faliu. A prefeitura está quebrada. Quebraram a prefeitura ao longo dos anos e ele, para fazer algo, teve que buscar apoio da iniciativa privada. Para arrumar 10 veículos para fiscalizar a marginal a Mitsubishi arrumou 10 carros para ele. Como o Estado está quebrado, ele está indo na iniciativa privada e buscando apoio. E como as pessoas e as empresas estão vendo que ele está fazendo um bom governo, apoiam. Quando uma empresa apoia um governo, ela está dizendo o seguinte: eu concordo com você. Esta é uma boa forma de organizar o estado e está aqui o meu aval. O governo de João Doria é espetacular. É o que o Brasil precisa daqui para frente.

 

De que maneira uma empresa como a Localiza sobreviveu a tantos governos e aos altos e baixos da economia? 

A Localiza é uma empresa privada, concorre pelas leis de mercado. Nós temos no Brasil cerca de 7 mil concorrentes. É um negócio altamente concorrido e a Localiza sempre tentou fazer o dever de casa correto como empresa, procurando ter colaboradores motivados, bons talentos dentro da organização, ter uma remuneração justa para essas pessoas. Nós sempre tivemos uma relação muito boa com nossos fornecedores, procuramos nos relacionar bem nas comunidades onde nós atuamos, sendo leais e éticos com nossos concorrentes e cuidadosos em seus processos e com um comportamento ético durante toda a sua história. A Localiza tem 44 anos e não tem nenhuma mácula em seu nome. Uma empresa que evitou durante a sua trajetória relações com o governo. A Localiza se mantém à distância disso.

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