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Educação pós pandemia

A reabertura das escolas tem provocado uma discussão à parte nesse processo de tentativa de retorno à vida normal. Muitas conseguiram se adaptar no início do distanciamento social e mantiveram seus cursos, cumprindo as exigências curriculares. Mas esse não foi um trabalho fácil, como conta a reitora do Centro Universitário FIPMoc, Fátima Turano (foto), que conseguiu driblar a crise e criou um vínculo mais forte entre a universidade e a comunidade.

 

As escolas estão-se preparando para a volta das aulas presenciais, o Centro Universitário FIPMoc espera o que desse novo período? Será possível voltar ao que era antes da pandemia? 

A UNIFIPMoc já vem fazendo esse trabalho desde o mês de junho. O prefeito Humberto Souto, por meio de um Decreto Municipal, permitiu às Instituições de Ensino Superior, retornarem com os Estágios profissionalizantes para os acadêmicos dos últimos períodos de cada curso, como também com as práticas laboratoriais. Com isso, no primeiro semestre planejamos os estágios em nossos centros de prática: NASPP -Núcleo de Assistência à Saúde e Práticas Profissionalizantes para os cursos da área de saúde; CEPEAGE- Centro de Prática e Pesquisa de Engenharia, Arquitetura e Gestão; NPJ -para o curso de Direito; e LAPP- Laboratório de Publicidade e Propaganda. Enquanto os acadêmicos dos últimos períodos completavam o estágio, os alunos dos períodos iniciais fizeram as atividades práticas nos laboratórios. Dessa forma, vencemos as cargas horárias de todos os cursos. Os acadêmicos conseguiram formar, e os dos outros períodos passaram para o período seguinte vencendo a carga horária e construindo o conhecimento do conteúdo previsto para o período. O trabalho foi realizado com grupos de 10 alunos por turma e período, de modo que não houvesse aglomeração. Para o segundo semestre, planejamos do mesmo jeito. Assim, todos os acadêmicos de todos os cursos vão à instituição duas vezes por semana para as atividades práticas. Os alunos dos últimos períodos estão fazendo os estágios nos Centros de Prática. Portanto, pouca coisa teremos a acrescentar, uma vez que já estamos realizando essas atividades de forma presencial. 

 

O conteúdo teórico continua a ser dado de forma remota?

O conteúdo teórico continua a ser dado de forma remota. É evidente que, na atividade prática, o conteúdo teórico ganha importância, tendo em vista que o aluno participa da situação. Além disso, estamos gravando as práticas, que são colocadas na plataforma. Os alunos com problema de saúde ou que estejam na faixa de risco podem acompanhar de perto as práticas e também a teoria. Todas as duas ficam na plataforma e podem ser consultadas a qualquer momento. Assim, para o retorno proposto, não haverá alteração para nós que já estamos praticando.  Infelizmente, ter na sala o total de alunos não será possível, devido ao fato de não termos a vacina. Acredito que aprendemos muito com a situação. No início, foi muito difícil, por todas as razões. Porém aos poucos os acadêmicos foram se acostumando, e os professores se aperfeiçoando.  Aqui, faço uma referência especial aos professores, que não mediram esforços para se refazerem como profissionais! Reaprenderam a ensinar! Meu respeito e reconhecimento a todos os professores! A pandemia mostrou-nos novos caminhos e possibilidades! As lives ficarão, com certeza, pois facilitam sobremaneira a participação de todos, de onde estiverem, em eventos, palestras, seminários, entre outros! Os cuidados de higiene pessoais e com os outros são outro fator inquestionável e sempre presente. Numa gripe, estar de máscara possibilita ao outro não ser contaminado, independente da gravidade da doença. Lavar as mãos. Limpar os sapatos. Enfim, cuidados básicos. Isso vai permanecer.

 

O Centro Universitário investiu nas aulas online. Esse é um processo irreversível?

Acredito que sim. Antes do atual período, já era comum o ensino tradicional do EAD, em que as aulas são gravadas por um profissional e repassada a tantos quantos seja possível.  Está, porém com os dias contados.  O trabalho que foi realizado na pandemia, é totalmente diferente. O aluno tem a aula com o professor do conteúdo, conforme o horário – antes presencial e, hoje, online. Tem como interagir com o professor. Só estão separados devido à pandemia, mas o professor está ministrando a aula para um grupo de aluno, podendo identificar nomes e dificuldades, o que facilita as relações. É o diferente do EAD em que o professor não conhece o aluno e vice-versa. Temos convicção de que o sistema online em muito contribuirá para o ensino, principalmente o superior, daqui para frente. Uma utilidade relevante, por exemplo, dá-se em uma situação em que surge um assunto num debate, e que haja em outra localidade, algum professor que pode esclarecer esse assunto. Esse profissional, com certeza, poderá contribuir sobremaneira para o crescimento das pessoas e, consequentemente, da educação.

 

Durante a pandemia, o Centro Universitário e os estudantes buscaram desenvolver máscaras e outras ferramentas que ajudaram a atravessar esse período?

É fundamental inserir o acadêmico no contexto real de vida! Assim é que os alunos da área da saúde continuaram com as práticas no NASPP e nos hospitais evidentemente que com toda segurança necessária, a exemplo de máscaras de pano, de acetato, macacão, cabine de higienização, lâmpada de Torre de Raios UV-C para higienização. Este é um momento que dificilmente será vivido igual novamente! E os acadêmicos da saúde precisam viver essa situação como profissional competente da área! Quanto a Engenharia que não atua na linha de frente da pandemia, age criando perspectiva de melhor qualidade de vida. Assim é que acadêmicos fizeram as máscaras de acetato na impressora 3 D, bem como os aparelhos para ajudar na respiração. É importante que todos se envolvam em sua área de atuação. A fisioterapia atuou no trabalho de respiração com os aparelhos confeccionados pelos alunos da Engenharia. Os da Psicologia, no acompanhamento dos problemas emocionais oriundos da distância, da solidão. Os de Biomedicina nos exames de sangue, nos exames próprios para detectar o vírus. A odontologia considerou que as dores de dente não sabem da pandemia, exigem o tratamento. O Direito voltou-se para a luta pelo direito de tratamento da doença. Enfim, a inserção dos acadêmicos nessa realidade vivida é fundamental para sua atuação profissional.

 

No início desse ano o Centro Universitário teve uma procura grande por parte dos estudantes. A pandemia mudou essa procura?

Realmente, o ano começou de forma fantástica! Matriculamos 4.200 alunos! Mas, no decorrer do semestre, verificamos cair a receita devido à mudança de perspectiva, perda de emprego, receio do que poderia vir. A situação só se regularizou no final do semestre quando os alunos que deviam acertaram, ou com o parcelamento no cartão, ou pelo financiamento próprio da Instituição. Constatamos que a maioria voltou. O que aconteceu foi a não captação de novos alunos. Somente a Medicina não sofreu alteração. Não conseguimos formar novas turmas! Conseguimos manter os alunos conosco. Essa fidelização foi expressivamente importante para nós. Demonstrou a confiança dos acadêmicos em nosso trabalho e na seriedade da instituição. Fizemos uma pesquisa e constatamos que 80 por cento dos alunos aprovaram nosso trabalho…Isso deu novas forças num momento tão complexo, quando enfrentamos pandemia, dificuldades de toda natureza, e até determinação judicial para diminuir o valor da prestação. Foi complicado, porque não tivemos gastos menores; ao contrário, ampliamos a plataforma, colocamos um coordenador para acompanhar o trabalho online para preparar os professores, preparar a estrutura física para receber os alunos com tapetes, álcool em gel, máscaras de tecido, de acetato, macacão para os acadêmicos, lâmpadas de Torre de Raios UV-C, Gabinete de esterilização e, o mais difícil, dividir os laboratórios. Por exemplo, na Anatomia, separamos os materiais necessários utilizados na Medicina, na Fisioterapia, na Odontologia, Enfermagem, de modo a atender todos os cursos, com apenas 10 a15 alunos! Esses laboratórios receberam equipamentos próprios para filmar e enviar online as práticas executadas para alunos que não puderam estar presentes por problemas de saúde e ou por idade! Tudo foi vencido em seu tempo … a pandemia não acabou, mas vencemos os entraves causados por ela.

 

Qual o balanço desse período, passada a fase mais grave da pandemia?

Como balanço desse período, deduzimos que precisamos vivenciar cada momento que a vida nos apresenta, da melhor forma possível. Mergulhamos de cabeça para garantirmos um ensino de qualidade. Até criamos um portfólio, que é uma pasta com o resumo de tudo o que o aluno produziu durante o semestre – com todas as aulas, atividades, seminários etc. Agora no segundo semestre, o portfólio está mais completo, mais rico. Isso nos permite avaliar o desempenho de cada um dos acadêmicos. O interessante é que eles também se avaliam.

 

Para o próximo vestibular e 2021, quais as expectativas?

O próximo vestibular acontecerá dia 19/11. Será online. Já tivemos a experiência no vestibular de julho, e foi um sucesso! Os investimentos continuam. Estamos ampliando o NASPP, em Moc; e construindo o NASPP de Guanambi. Aqui, estamos colocando um elevador no NASPP, para facilitar a mobilidade dos pacientes e acadêmicos além de construir a clínica de Odontologia. Para as engenharias, preparamos novos investimentos na segunda fase da usina fotovoltaica no CEPEAGE; o laboratório de redes, na Computação; um robô especial, na Mecatrônica; e um novo carro, na fórmula FIP, construído pelos alunos da Mecânica. O material mais novo que adquirimos foi a mesa digital para anatomia. Em Guanambi, as atividades práticas retornaram somente agora, no mês de setembro. Mas, como vivemos a experiência de Moc com muito sucesso, preparamos o retorno nos mínimos detalhes, e a reposição das atividades do primeiro semestre junto com as atividades do semestre em curso. As obras do NASPP de Guanambi estão bem adiantadas. O vestibular será no mesmo dia do que Moc, e a prova será junto. Acreditamos que fizemos o nosso melhor, nessa pandemia. E concluímos afirmando a necessidade de valorizarmos mais a educação. Se a vacina chegar até nós, será oriunda dos estudos e pesquisas que foram realizados. Tudo isso tem um fundo que permeia a vida: a educação! Sem a educação, não conseguiremos vencer o vírus! Nosso país precisa acreditar e investir na educação! Só um povo culto atinge a plenitude! A vida exige isso de todos nós!

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