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Bolsonaro coloca a usina de crises para funcionar

Quem quer galinha não faz “chô-chô”, ensina a cultura popular mineira. Bolsonaro- aí não se sabe se Jair, Flávio, Eduardo ou Carlos – não tem feito outra coisa que não seja espantar o entendimento e buscar a crise. Aliás, Rodrigo Maia, o filho do César, já definiu o governo do Jair como uma verdadeira usina de crise. A toda hora cria-se um problema que só dificulta o relacionamento com os outros Poderes, gerando descontentamentos que atrapalham o andamento dos projetos que são importantes para o país. Agora é esperar as consequências da saída de Joaquim Levy do BNDES. Talvez nem tanto pelo nome, mas, certamente pela forma como a saída ocorreu. As declarações do presidente Jair colocando a cabeça a prêmio de seu auxiliar, geram insegurança entre os componentes de sua equipe. O presidente praticamente obrigou Levy a se demitir pelo palavreado pouco usual com que se referiu a ele. O crime de Levy? Nomear um ex membro do governo petista para um cargo importante no banco onde, certamente, se exige mais competência do que filiação partidária. Se ligações com os antigos governos petistas forem motivo de demissão, o presidente terá dificuldades com os generais que estão sem seu governo. A maioria participou da missão no Haiti, com aval de Lula, que não interferiu na conduta dos generais, mesmo quando eles foram acusados de promover um massacre em bairro pobre de Porto Príncipe, quando militares das forças da ONU, sob comando do General Heleno, dispararam 22 mil tiros na busca de um líder rebelde. Esta operação foi citada por Bolsonaro, durante a campanha eleitoral, como modelo a ser seguido pela polícia brasileira. Mas o final de semana não ficou apenas no episódio do BNDES. No sábado, numa cerimônia militar no Rio Grande do Sul, o presidente afirmou que, mais do que o Parlamento, o governo precisa do povo ao seu lado para impor políticas que representem paz e alegria para todos, sem explicar o que isto significa. Num discurso pouco claro, ele ainda defendeu o armamento da população, medida que considera importante para conter tentações que passem pela cabeça de governantes que assumem o poder de forma absoluta. Para alguns analistas, Bolsonaro está estimulando a formação de milícias que possam, eventualmente, defender seu governo, esquecendo-se de que a liberação das armas permite que grupos de oposição também se armem. A fala do presidente foi uma resposta e um desafio à Comissão de Constituição e Justiça do Senado que aprovou relatório pedindo a suspensão do decreto do armamento. E assim, com declarações e ações polêmicas, Jair Bolsonaro (foto) vai criando no Congresso um ambiente hostil às suas propostas, situação que poderá levar o país a um impasse político, cuja solução certamente será traumática. Dividir para governar com mão de ferro pode não ser uma boa política.

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