Falhas na fiscalização e a colaboração de gerentes de bancos facilitam a remessa ilegal de dinheiro para o exterior, segundo Lucas Pacce, em seu depoimento ontem (13) na CPI da Petrobras. Acusado de ser operador do esquema fraudulento da doleira Nelma Kodma e do doleiro Alberto Youssef (foto), que enviava dinheiro para o exterior, Pacce disse que o Banco Central facilitou as irregularidades, ao permitir que as corretoras atuassem como bancos no mercado de câmbio, a partir de 2006, com a publicação da Medida Provisória 315/2006, transformada depois na lei 11.371/06. A facilidade para cometer as irregularidades indica, segundo Pace, que “existem brechas propositais”. Com esse depoimento, a CPI vai pedir ao Banco Central e à Receita Federal, o cruzamento de dados das operadoras de câmbio que enviaram dinheiro para o exterior nas chamadas remessa de frete para empresas importadoras que não tinham registro de atividade. Segundo a Polícia Federal, essa operação de remessa de dinheiro para o exterior fazia parte do esquema de pagamento de propina descoberto na Petrobras pela Operação Lava Jato.
Lista da Kroll
Na reunião da CPI da Petrobrás, o seu presidente, deputado Hugo Motta, PMDB-RJ, revelou, quem são as 12 pessoas investigadas pela empresa de inteligência Kroll, contratada pela Câmara dos Deputados para apurar contas bancárias no exterior. Os investigados são Renato Duque, ex-diretor da Petrobras; Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras; Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras; Alberto Yousseff, doleiro; João Vaccari Neto, ex tesoureiro do PT; Júlio Camargo, ex-consultor da empresa Toyo Setal; Ricardo Pessoa, presidente da empreiteira UTC; Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa; Eduardo Leite, ex-vice-presidente da Camargo Corrêa; Augusto Mendonça Neto, executivo da empreiteira Toyo Setal; Julio Faerman, ex representante da empresa SBM e Stael Fernanda Janene, mulher do ex-deputado José Janene, morto em 2010. Após a divulgação a empresa de consultoria Kroll decidiu), que não irá fechar novo contrato com a CPI da Petrobras, por não ter chegado a um acordo sobre os termos da contratação. A empresa recebeu R$ 1,18 milhão, da Câmara dos Deputados, para identificar contas bancárias suspeitas e repasses ilegais ao exterior de dinheiro de investigados na Operação Lava Jato.