Blog do PCO

Conselhão sem consenso

Paulo César de Oliveira
COMPARTILHE

A presidente Dilma Rousseff tropeça, mas tenta passar uma imagem de otimismo, no meio do caos da economia brasileira. Mas o Conselhão reeditado por ela ontem em Brasília, formado por 92 representantes da sociedade, desde doméstica a artistas e empresários, está longe desta visão cor de rosa do país. O empresário Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, foi o primeiro a dar um choque de realidade ao encontro. Para ele, dificilmente esse fórum vai chegar a um consenso sobre as políticas que são necessárias para o país superar a crise econômica. Além disso, alfineta dizendo que não são eles os responsáveis pela condução da economia. “É o governo quem precisa trazer propostas e mecanismos para aquilo que o Brasil precisa e contar com o fórum para dar referência, legitimidade às propostas que ele quer implementar”. A primeira reunião do novo Conselhão foi fechada e apenas o discurso do ministro Jaques Wagner e parte da fala do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco (foto), foram transmitidos pela TV NBR. Trabuco foi cortado após falar da angústia, da necessidade de o país sair do imobilismo e da recessão. "Para a retomada do caminho do futuro é preciso acabar com a crença de que é possível de forma permanente dirigir um carro que avança na noite com os faróis voltados para a ré. Precisamos avançar". A última reunião do Conselhão aconteceu em 2014 e pelo menos dois conselheiros estão afastados porque estão na prisão, como é o caso dos empresários Marcelo Odebrecht e José Carlos Bumlai, presos na Operação Lava Jato.

 

Governo abre linha e crédito de 83 bilhões de reais

A fala mais aguardada ontem, na reunião do Conselhão, foi a do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Durante toda semana os boatos da abertura de linhas de crédito nos bancos oficiais tomaram conta do meio empresarial, mas ninguém sabia exatamente o valor. Ontem, o ministro Barbosa anunciou o montante de 83 bilhões de reais. Além disto, o governo quer permitir que o FGTS seja usado para garantir empréstimos consignados. Para tanto, será necessário alterar a lei do FGTS para permitir o uso dos recursos pelos trabalhadores. A mudança será por meio de Medida Provisória, mas ainda assim, a proposta terá que ser regulamentada pelo Conselho Curador do FGTS. Mas a conversa entre os empresários é a de quem dinheiro tem, falta é confiança na economia.

COMPARTILHE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

News do PCO

Preencha seus dados e receba nossa news diariamente pelo seu e-mail.