A interjeição “meu Deus!” pronunciada pelo ministro Luiz Barroso (foto), do Supremo Tribunal Federal, para expressar seu espanto com as alternativas de poder de que dispomos, caso se efetive o impedimento da presidente Dilma, não é apenas dele. É de cada um de nós brasileiros que olhando uma foto, não apenas do PMDB, como fez o ministro, mas de todos os partidos, nos espantamos com o que nos reserva o futuro. Imediato se a presidente sair agora, ou pouquinha coisa mais distante, se tivermos que esperar 2018 para mudarmos o governo. É realmente lastimável nosso quadro político. E não é muito diferente a situação nos estados, onde não se vê emergir uma liderança sequer capaz de vir a entusiasmar no futuro. E nosso futuro, não se esqueçam, é hoje. O Brasil tem carências imediatas a resolver que só podem ser enfrentadas por ações políticas. Não existe macroeconomia sem política. Por mais que se deteste política e políticos, por mais que alguns desvairados queiram passar sobre a safra política atual, pregando a volta do regime militar, nada se conseguirá sem política. Não vivemos sem política. Ponto. Se feita por maus políticos, viveremos mal. Se feitas por bons políticos, viveremos bem. É disto que precisamos nos conscientizar e assumir, no braço, a tarefa de mudar o país. Mudar a política. Não é agredindo pessoas em lugares públicos, não é apenas mandando mensagens e críticas por redes sociais. Mudanças quando o poder está enraizado se faz indo às ruas, demonstrando a insatisfação coletiva. Esta é uma forma de fazer política. A outra é buscar o poder pelo voto. Ocupando espaços partidários, espaços hoje ocupados pelos maus, pelos que estão na política para dela tirar proveito. Não tenham ilusão de que a urna muda tudo. Não, o que muda é a cobrança, a vigilância. É o olho do dono que engorda o porco, ensinam os mais sábios. É o olho do povo que espanta os corruptos. É o olho do povo que muda as leis. Meu Deus! É com o grito do povo que se muda a realidade de um país.