A liberação do uso recreativo da maconha pode ter como consequência o aumento dos usuários e, para a saúde pública, o crescimento no número de dependentes químicos, o que significa mais doentes mentais e gastos públicos com os tratamentos. O argumento é do coordenador do Centro de Referência em Drogas (CRR) e professor adjunto da Faculdade de Medicina da UFMG, Frederico Garcia. Segundo ele, atualmente cerca de 2 milhões de pessoas são dependentes da maconha no Brasil. A liberação da droga pode elevar para 10 milhões o número de dependentes e o sistema de saúde pública teria que enfrentar uma grande epidemia. Os dados foram apresentados por Frederico Garcia (foto) no Encontro Internacional Descriminalização das Drogas no legislativo mineiro.
Uso medicinal
Por outro lado, o professor emérito da Escola Paulista de Medicina da Unifesp e membro do Painel Consultivo de Especialistas em Dependência de Drogas e Problemas com Álcool da OMS, Elisaldo Carlini, defendeu os estudos que comprovariam os benefícios do uso medicinal da maconha. Ele citou, como exemplo, melhorias constatadas em pacientes com esclerose múltipla e no alívio das reações causadas pelo tratamento quimioterápico.