Blog do PCO

Temer: combate à corrupção se faz com democracia

Por Paulo César de Oliveira
AGT 0001 26 AF BANNER ESTATICO CEMIG QUEIMADAS 728X90PX

Ao discursar ontem na 8ª Cúpula das Américas, realizada em Lima, no Peru, o presidente Michel Temer destacou a importância do tema escolhido para o encontro deste ano: o combate à corrupção. O presidente ressaltou que “não se pode tolerar a corrupção” e que o combate aos desvios de conduta e da função pública é “imperativo da democracia”. “É na democracia que temos transparência. Uma imprensa livre e uma opinião pública vigilante, capazes de fiscalizar sem trégua, como deve ser, as ações do poder público. É na democracia, afinal, que temos estado democrático de direito”, disse. Ao defender os princípios da democracia, Temer (foto) citou o caso da Venezuela, que enfrenta uma crise política e econômica. O presidente brasileiro voltou a defender o espírito de cooperação entre os países vizinhos e disse que “não há espaço em nossa região para alternativas à democracia”. Temer também prestou solidariedade ao Equador, pelo assassinato de jornalistas equatorianos sequestrados enquanto faziam uma reportagem sobre a insegurança no país. Ele classificou o episódio como “mais um inaceitável ato de violência”. “Condenamos, nos mais fortes termos, esse atentado contra a vida, contra a liberdade de expressão. Nossa mais sentida solidariedade às famílias das vítimas, ao povo equatoriano e ao presidente Lenin Moreno”, disse Temer.

 

Guerra na Síria já dura tempo demais, com perdas humanas demais

O presidente Michel Temer pediu, na Cúpula das Américas, o envolvimento das Nações Unidas em uma solução duradoura, baseada no direito internacional, para o conflito na Síria e afirmou que o uso da força não resolve. “Há uma profunda preocupação no nosso país com a escalada do conflito militar na Síria. Já é passada a hora de encontrarmos soluções duradouras baseadas em direito internacional. Uma guerra que se estende já há tempo demais, com perdas humanas demais”, disse Temer. Falando a jornalistas brasileiros antes de embarcar de volta ao Brasil, o presidente acrescentou que a solução para a Síria não pode vir “apenas pela força. A conversação, a via diplomática e o convencimento são fundamentais para isso”. Temer evitou condenar diretamente o ataque ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a bases militares do país do Oriente Médio, apoiado pela Grã Bretanha e a França. Segundo Temer, a notícia na noite de sexta parecia mais “aflitiva”, mas que a informação na manhã de ontem mostrava que o ataque havia sido restrito. O presidente condenou o uso de armas químicas por parte do governo sírio e pediu o engajamento da comunidade internacional em uma solução definitiva. “Essas questões devem ser resolvidas com base no direito internacional. Por isso é importante que as Nações Unidas entrem nessa questão para resolver o conflito. Não se pode deixar isso quase eternamente, como vem acontecendo, prejudicando as ações internacionais e a região”, afirmou.

 

Para o Brasil solução síria precisa ser negociada

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, afirmou que o Brasil repudia o uso de armas químicas mas está preocupado com o aumento das ações militares na Síria e defende uma solução política para a guerra civil naquele país. “Estamos muito preocupados com o aumento das ações militares na Síria, assim como já estávamos, reitero, muito preocupados com as graves denúncias de ataques químicos”, disse o ministro a jornalistas em Lima, onde participa da Cúpula das Américas. Forças norte-americanas, britânicas e francesas bombardearam a Síria com mais de 100 mísseis nesse sábado nos primeiros ataques ocidentais coordenados contra o governo de Damasco, tendo como alvo o que chamaram de centros de armas químicas em retaliação a um ataque com gás venenoso, que acusam ser de responsabilidade do governo sírio. “Aguardamos a conclusão o mais rápido possível das investigações no âmbito da Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas), para que se possa punir os responsáveis”, acrescentou Aloysio Nunes. “O Brasil defende uma solução política negociada pelos sírios que preserve a unidade territorial do país.” O ministro disse ainda que entrou em contato com o pessoal diplomático brasileiro na capital síria, Damasco, e que “não houve danos colaterais”. Questionado se isso tirava importância da cúpula de Lima, o ministro brasileiro disse acreditar que não seja o caso. Mas diplomatas brasileiros ouvidos pela Agência Reuters afirmaram que o ataque tira a atenção de uma cúpula já esvaziada pela ausência do próprio Trump, e as dificuldades de tratar de temas centrais para a região, como a crise na Venezuela. Em nota, o Itamaraty manifestou “grande preocupação” com a escalada do conflito militar e repetiu a fala de Temer e Aloysio, afirmando que a solução para a Síria passa pela Carta da ONU e pelo direito internacional. “O Brasil reitera o entendimento de que o fim do conflito somente poderá ser alcançado pela via política, por meio das tratativas sob a égide das Nações Unidas e com base nas resoluções do Conselho de Segurança”, diz o texto.

COMPARTILHE
728x90

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

News do PCO

Preencha seus dados e receba nossa news diariamente pelo seu e-mail.