O decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) que colocou militares para atuar na fiscalização de cargas e no patrulhamento em portos e aeroportos desde o último dia 6, com previsão para durar até o início de maio, é um “show que o Estado apresenta para a população para parecer que está fazendo alguma coisa”, mas tem pouca efetividade no combate ao crime organizado, diz Anaís Medeiros Passos (foto/reprodução internet), principal estudiosa do emprego das Forças Armadas na segurança pública no Brasil. Ela interpreta esse movimento como a existência de uma crença generalizada de que as instituições militares são mais eficientes que as civis para enfrentar o narcotráfico, por alegadamente possuírem uma moral mais elevada e serem menos suscetíveis à corrupção. Ela chamou a isso de “a mística militar”, uma ideia que não resiste à análise dos fatos.