Como quem ajusta as engrenagens de um grande Estado para fazê-lo avançar, o governo colhe agora os frutos da onda de novos tributos lançada por Fernando Haddad (foto/reprodução internet). Em outubro, a arrecadação federal atingiu R$ 261,9 milhões, recorde para o mês, com crescimento real de 0,92% sobre o ano anterior. No balanço dos dez primeiros meses, o Tesouro acumulou R$ 2,4 trilhões, alta real de 3,2% ante 2024. A autoridade fiscal sublinha tratar-se do melhor desempenho histórico tanto para outubro quanto para o período. A soma inclui impostos clássicos, de renda, previdenciários, sobre importações, IPI, IOF, PIS/Cofins, além de royalties e depósitos judiciais. Num país em que o Estado sempre quer mais braços, a receita obedece.
Quando a receita sobe, mas ofega
Mesmo após um salto de 3,2% no acumulado do ano frente a 2024, a força arrecadatória começa a perder fôlego. Em julho, o avanço chegara a 4,41%, mas desde então a curva desce em degraus previsíveis. Claudemir Malaquias, da Receita Federal, admite que a queda no ritmo acompanha a própria economia: o país segue crescendo, porém como quem caminha com passos mais curtos. Nada disso surpreende, já estava no radar do Ministério da Fazenda e do mercado, que antecipavam a contração da atividade. Ainda assim, Malaquias nota bolsões de resistência, como o setor de serviços e a massa salarial. O quadro sugere que, após o ímpeto arrecadatório do governo Lula, a máquina fiscal mantém a direção, mas não mais a mesma velocidade.











