*Em 2026, convém lembrar: o verdadeiro “novo” não nasce da negação da política, mas do aprimoramento das instituições. Desde 2013, a palavra renovação foi sequestrada por discursos de terra arrasada que prometeram milagres e entregaram desordem. A antipolítica vendeu a ilusão do líder salvador e produziu populismos ruidosos, autoritários e ineficazes. O caminho real é menos espetacular e mais árduo: modernizar práticas, fortalecer a democracia, responsabilizar governos e recuperar a confiança. O avanço exige técnica, transparência, paciência reformista e compromisso com resultados — sem destruir o que sustenta o país. Para isso, o Brasil não precisa de Lula nem de Bolsonaro. Que o novo se apresente e conquiste o povo com ideias plausíveis e ações concretas. Flávio Bolsonaro (foto: Andressa Anholete/Agência Senado) representa o velho e ultrapassado esquema político que aqui se perpetua.
*O governo Lula investiu, até 23 de dezembro, R$ 528 milhões em publicidade, segundo a Secom. Mas esse número é só a ponta do iceberg: ele exclui as estatais, cujas despesas deixaram de ser detalhadas desde 2017, após o fim do IAP. Historicamente, elas respondem por cerca de 74% do total; se a proporção se mantiver, a conta real de 2025 pode se aproximar de R$ 2 bilhões — com algo como R$ 1,5 bilhão sem clareza sobre o destino. O TCU já cobrou mais transparência e melhor avaliação de resultados. Entre os poucos dados disponíveis, a Petrobras chama atenção: gastou, em média, 79% a mais com publicidade na gestão Lula do que na de Bolsonaro. Transparência, aqui, não é detalhe — é parte da conta.
*No último pregão de 2025, o dólar encerrou a R$ 5,48 e acumulou queda de 11% ao longo do ano, seu pior desempenho em quase dez anos. Não foi privilégio do real: euro, libra e iene também ganharam fôlego. Aqui, o Ibovespa brilhou, saltando cerca de 34%, o melhor resultado desde 2016. Por quê? A combinação de políticas protecionistas de Donald Trump, que enfraqueceram a moeda americana, e três cortes de juros pelo Fed empurrou capital para ativos de maior risco — emergentes incluídos. O dinheiro estrangeiro olhou para o Brasil e veio. Para 2026, porém, o enredo muda: eleições por aqui e incertezas na economia dos EUA podem tirar a Bolsa do modo eufórico e devolver o mercado ao velho estado de vigilância.











