Com o ano eleitoral batendo à porta, o velho instinto de sobrevivência política voltou a comandar Brasília. Desde 2023, já são 46 trocas de partido na Câmara – e isso antes mesmo da “janela” oficial de março e abril, que legaliza a metamorfose partidária. Quem mais cresceu foi o Centrão, sempre com faro aguçado para poder e orçamento. PSD puxa a fila, seguido por Republicanos, Podemos e PP. Na outra ponta, o PL de Bolsonaro encolhe: de 99 deputados, caiu para 86, vítima de migrações calculadas rumo a siglas mais pragmáticas ou a nichos ideológicos de direita. A regra permite: dentro da janela, ninguém perde mandato; fora dela, sempre há um jeito “acordado”. O resultado é previsível. Ideologia é pano de fundo; aritmética política, a verdadeira bússola. No Brasil, partidos mudam de parlamentares com a mesma naturalidade com que parlamentares mudam de partidos. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)











