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Exportamos milionários, importamos problemas

Paulo César de Oliveira
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foto: gerada por IA

Wagner Gomes

O Brasil está perdendo uma corrida invisível — a de reter quem produz riqueza e atrair quem a multiplica. Desde 2022, cresce o número de milionários que fazem as malas. Cada um que parte leva consigo mais que um CPF: leva empresas, empregos e um crescimento que se transfere para outro país. Estima-se que 15% desses emigrantes sejam empreendedores; entre os grandes, mais da metade cria novos negócios lá fora. As oportunidades — e os impostos — nascem em outro CEP. A economia local murcha. O turismo esfria, o varejo encolhe, a Bolsa, sem suas blue chips, perde fôlego e a inovação embarca junto com eles. Essa evasão provoca um círculo vicioso: menos capital disponível encarece o crédito, adia investimentos e reduz a produtividade. Quando o dinheiro foge, o salário estaciona — e o custo de vida sobe, empurrado por um câmbio pressionado por quem transforma reais em dólares para partir. A classe média sente o impacto sem perceber sua origem. O país perde também engenheiros, técnicos e gestores que orbitavam em torno deles. O êxodo dos que criam valor é o retrato de uma economia que já não inspira confiança em si mesma. Há um paradoxo quase cômico — ou trágico — nesse cenário. Parte da população celebra governos que, sob o pretexto de justiça social, tratam quem gera empregos como inimigo a ser punido, e não como motor da prosperidade. Não raro, empresários aplaudem políticas que, no frigir dos ovos, serram o próprio galho. Há quem confunda vingança fiscal com progresso e só percebe o erro quando a fila de embarque no aeroporto cresce mais que o PIB. Vivemos a estranha liturgia de um país que festeja o carrasco. Trabalhadores celebram agendas que secam o emprego que os alimenta; empresários reverenciam o Estado que lhes fecha as portas. A economia vira tragicomédia: a plateia aplaude o incêndio e só reclama quando descobre que o teatro não tem saída de emergência. Antes de reformar o sistema tributário ou incentivar startups, é preciso algo mais elementar: reconstruir a confiança nas instituições. Nenhum investidor, por mais patriota, suporta o labirinto de regras mutantes, o improviso orçamentário e um Estado que muda de humor a cada governo. Quando o poder político se torna errático e o Estado imprevisível, o capital faz o que qualquer ser racional faria: procura abrigo em outro porto. Países que retêm talentos cultivam três pilares: previsibilidade, simplicidade tributária e formação humana. Precisamos de regras estáveis, justiça célere e burocracia que não castre o investimento; de impostos que estimulem quem reinveste, não quem especula; e de escolas que formem para a produtividade, não apenas para o diploma. O capital segue o talento, e o talento segue a confiança. Um país que protege o ciclo virtuoso — empreender, empregar, inovar — arrecada mais mesmo com impostos menores. Quando quem cria riqueza decide ficar, o Estado ganha credibilidade, o câmbio se estabiliza e a sociedade inteira prospera. A fuga dos ricos não é o problema — é o sintoma. O verdadeiro drama é a mediocridade institucional que os afasta. O Brasil não precisa de mais muros fiscais, e sim de pontes de confiança. Quem vai embora leva o futuro junto. (Foto: gerada por IA)

Wagner Gomes – Articulista

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