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Fernando Orsini: transição energética e desenvolvimento – um novo ciclo para o Brasil

Paulo César de Oliveira
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Fernando Orsini Rodarte

A transição energética não é mais um debate técnico, é questão estratégica para o presente e futuro do Brasil. Com abundância de fontes solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde, o país pode ser protagonista da economia de baixo carbono. Ao mesmo tempo, estas matrizes precisam ser complementadas para garantir a segurança do sistema do país. O Blog do PCO conversou com o presidente da Unidade de Negócios de Energia, Óleo & Gás da Andrade Gutierrez, Fernando Orsini Rodarte (foto: Acervo AG), um dos nomes relevantes sobre o tema e ofereceu uma visão completa. “Acreditamos que a evolução contínua do setor de energia trará crescimento significativo e sustentável para o país.”  

Nos dias 18 e 20 de março estão previstos leilões de reserva de capacidade para contratação de usinas hidrelétricas e termelétricas. Por outro lado, o Brasil vive uma super oferta de energia solar e eólica. O que estes dois fatos dizem sobre o setor energético no Brasil e qual é o nosso cenário atual? 

O setor de energia no Brasil vive um momento de transição importante. De um lado, temos uma expansão acelerada de fontes renováveis, principalmente solar e eólica, que representam uma parcela crescente da matriz, o que é um ponto positivo. De outro, o governo e os órgãos reguladores – ANEEL, ONS, Ministério de Minas e Energia – que precisam garantir a segurança do sistema, e isso passa pelos leilões de reserva de capacidade, voltados, principalmente, para termelétricas e hidrelétricas. É fundamental que esses leilões ocorram na data prevista para assegurar previsibilidade e garantir a confiabilidade do sistema.

Esses dois movimentos mostram que o país avançou muito na expansão das renováveis, mas ainda enfrenta desafios de armazenamento, despacho e estabilidade do sistema. É um momento de ajuste natural do setor: ampliamos a oferta renovável e agora precisamos garantir confiabilidade e equilíbrio para sustentar esse crescimento.

A oferta de energias eólica e solar cresceu. Estas fontes são intermitentes e precisam ser “complementadas”. Como deverá acontecer? 

A complementaridade é fundamental para qualquer matriz que queira crescer sem perder confiabilidade. No Brasil, ela se dará pela combinação de algumas frentes: hidrelétricas – continuam sendo a espinha dorsal da matriz por sua capacidade de regularização e armazenamento natural – as usinas hidrelétricas reversíveis, que permitem estocar energia e apoiar a estabilização do sistema em momentos de alta intermitência. 

Usinas termelétricas, mais eficientes e flexíveis, acionadas para garantir segurança quando as renováveis não são suficientes. Novas tecnologias de armazenamento, como baterias e soluções híbridas devem ficar mais relevantes em um futuro de médio prazo.

Quando falamos em hidrelétricas, o futuro aponta para o reaproveitamento de quedas existentes, modernização de usinas antigas, e, cada vez mais, alternativas como usinas reversíveis, que reforçam a capacidade de resposta rápida do sistema elétrico e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

Em 2025 palavras como descarbonização e sustentabilidade entraram no vocabulário da sociedade por conta da transição energética. Quais são os riscos e oportunidades do setor de energia, óleo & gás no Brasil? E como a Andrade Gutierrez se posiciona neste cenário e neste mercado?

O Brasil vive um dos momentos mais dinâmicos da sua história energética. Existem diversas oportunidades: expansão das fontes renováveis, modernização do parque hidrelétrico, novos projetos de transmissão, crescimento do mercado de gás natural e a necessidade de infraestrutura para a transição energética: hidrogênio, captura e armazenamento de carbono, entre outros. Ao mesmo tempo, o setor de óleo & gás não perderá a sua relevância dentro da matriz energética do nosso país. Os principais riscos vêm de questões regulatórias, incertezas de contratação de capacidade e dificuldades de licenciamento.

Somos uma referência histórica na construção da infraestrutura energética do Brasil e estamos preparados para entregar soluções completas para novos modelos, sejam renováveis, sistemas híbridos ou projetos de óleo & gás mais eficientes e sustentáveis.

Quais gargalos limitam novos projetos no país?

Existem desafios quando falamos em novos projetos. Um deles é o licenciamento ambiental, que ainda é moroso e um pouco imprevisível. A incerteza regulatória, especialmente em modelos de contratação de energia e remuneração por capacidade. A escassez de mão de obra qualificada, principalmente em obras de alta complexidade.

Qual o papel da inovação tecnológica na redução de custos e no aumento da eficiência dos projetos em energia?

A inovação é um divisor de águas no setor energético, que exige precisão, e é o caminho para projetos mais competitivos e sustentáveis. Essas tecnologias trazem previsibilidade, reduzem custos, elevam a produtividade e aumentam a segurança. Desde 2018 temos o Vetor AG, o primeiro programa de inovação aberta do setor, que conecta nossos desafios a soluções do mercado. Em um segmento historicamente pouco inovador, estamos mudando esse cenário. Já aplicamos mais de 50 soluções de startups em nossas obras, reduzindo significativamente os impactos ambientais. O objetivo atingido é a confiabilidade aos orçamentos e prazos de execução dos projetos. A AG possui uma forte cultura de inovação e foi eleita diversas vezes a construtora mais inovadora do Brasil. 

A Andrade Gutierrez é uma construtora  ligada à criação da infraestrutura do Brasil. Como a empresa tem se preparado para uma transição energética global e qual papel deseja ter neste marco ?

A AG está preparada para ter um papel protagonista. Investimos em inovação, ampliamos nossa atuação em renováveis, fortalecemos nossa engenharia e desenvolvemos projetos que integram eficiência, digitalização e sustentabilidade. O papel da AG é entregar engenharia de ponta com responsabilidade ambiental, segurança e alto desempenho. Queremos continuar liderando a construção da matriz do futuro. 

Raquel Ayres

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