A análise de Ricardo Amorim (foto: Reprodução Internet) expõe, sem anestesia, a engrenagem torta do mercado de trabalho brasileiro. O desemprego cai, mas o gasto com seguro-desemprego explode. Não é milagre econômico; é contabilidade criativa do sistema. O truque está nos conceitos: para a estatística, desempregado é quem procura vaga; para o Estado, basta não ter carteira assinada. Soma-se a isso um cardápio de incentivos perversos — benefícios que punem a formalização — e o resultado é previsível: menos gente buscando emprego, mais gente vivendo no limbo.
O Bolsa Família, essencial como rede de proteção, vira armadilha quando não dialoga com o trabalho. Milhões fora da força de trabalho não aparecem na taxa de desemprego, mas aparecem na fatura fiscal. O paradoxo não é social, é institucional. E o sistema, do jeito que está, premia a inércia e penaliza a produtividade.
Resumo da ópera: o problema não é falta de emprego. É excesso de desalinhamento entre política social e mercado de trabalho. Quando o incentivo erra o alvo, o resultado também erra.










