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Diplomacia à margem: por que o Brasil rejeita o plano Trump

Paulo César de Oliveira
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Celso Amorim (foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

O principal conselheiro internacional de Lula, Celso Amorim (foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados) deixou claro que o Brasil não embarca no chamado “Conselho de Paz para Gaza”, iniciativa lançada por Donald Trump. Em entrevista, Amorim classificou a proposta como uma tentativa unilateral de redesenhar a Organização das Nações Unidas, sem legitimidade multilateral. O detalhe revelador: o texto ignora a própria Gaza, ausente até no vocabulário do estatuto. Apresentado em Davos, o plano teve adesão aquém do esperado e passou longe do apoio de aliados da OTAN. Para o entorno do presidente Lula, a mensagem é simples: a paz não se constrói por decreto solitário. Sem consenso, sobra palco; falta diplomacia.

Cautela em escala mundial

Em entrevista ao Blog do PCO, o cientista político Adriano Gianturco, coordenador do curso de Relações Institucionais do IBMEC, destacou que os líderes internacionais querem entender mais “para decidir embarcar ou não”, explica Gianturco.  Ele cita ainda que o investimento de R$ 1 milhão de dólares, exigido para adesão, não deixa de ser uma quantia importante, mas ele chama atenção para o fato de a ordem global já estar desenhada, com organismos internacionais em funcionamento: ONU, FMI, Banco Mundial. “Burocratas internacionais, líderes que têm interesses privados, também, são reticentes às mudanças destes organismos”, explica o professor. Ele avalia que os líderes internacionais tentam tirar de Trump o protagonismo que ele tanto deseja.

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