Wagner Gomes
A economia brasileira vive num paradoxo conhecido: cresce pouco, mas promete muito. A cada ciclo, renova-se a liturgia das reformas salvadoras — e, no fim, o país volta ao mesmo ponto de partida, como se fora um caranguejo no mangue. Lula combina um discurso progressista com políticas econômicas frágeis, marcadas por voluntarismo fiscal, ambiguidade regulatória e um flerte recorrente com soluções improvisadas, que elevam o risco de erosão institucional e isolamento externo. O problema não é conjuntural. É estrutural. Baixa produtividade, distorções fiscais, crédito caro, um Estado que se move devagar — e um setor privado que só ousa quando o risco já foi domesticado. O país opera como máquina antiga: barulhenta, pesada, resistente às modernizações que poderiam destravá-la. Protege-se o atraso em nome da estabilidade e sacrifica-se o futuro para administrar o presente. O sistema tributário pune quem produz e premia quem navega no contencioso; o gasto público cresce sem contrapartida em eficiência; e o investimento murcha diante da insegurança jurídica travestida de “flexibilidade”. Enquanto isso, a desigualdade segue sendo o maior imposto informal. Reduz o potencial de consumo, corrói a capacidade de investimento e limita a própria ambição nacional. Um país desigual é um país que cresce pela metade — e celebra como feito épico a expansão que, em outros lugares, seria mero aquecimento. A imobilidade social transforma talento em desperdício e inovação em luxo retórico. Não há política macroeconômica que resista a uma base social permanentemente fraturada. O retrato é duro: gastamos mais para produzir o mesmo, tributamos de forma torta, e tratamos inovação como exceção, não regra. Falta coordenação, sobra retórica. O Estado, quando poderia induzir produtividade, prefere distribuir incerteza. O sistema político, por sua vez, administra o curto prazo com zelo e o longo prazo com desdém, incapaz de formular um projeto nacional que vá além do calendário eleitoral. No fim, a pergunta permanece: até quando aceitaremos crescer como quem empurra carro enguiçado em ladeira? O Brasil não precisa de novas promessas — precisa de tração, de escolhas claras e de reformas que ataquem privilégios, não sintomas. Porque país que não faz a própria reforma acaba sendo reformado pelo mundo. E a conta, como sempre, chega com juros — altos, compostos e inadiáveis. (Foto: imagem IBGE)
Wagner Gomes – Articulista










