O presidente Lula tem demonstrado incômodo com a atuação de Dias Toffoli (foto: Ton Molina/STF) na relatoria do inquérito do Banco Master. Nos bastidores, ele chegou a desabafar, dizendo que o ministro deveria deixar o STF. Para Lula, a renúncia de Toffoli seria uma oportunidade para fazer a coisa certa e resgatar sua biografia. O desconforto decorre do desgaste imposto ao Supremo por denúncias sobre vínculos de irmãos e parentes do magistrado com fundos ligados ao banco, do sigilo elevado do processo e do receio de que a apuração seja esvaziada. Apesar disso, Lula não deve propor formalmente a renúncia nem a saída do caso.
Em tempo: foi o próprio presidente que, em 2009, indicou Dias Toffoli para a vaga deixada pelo ministro Carlos Alberto Menezes. Toffoli havia sido advogado do PT nas campanhas presidenciais de 1997, 2002 e 2006, bem como advogado-geral da União de 2007 a 2009.
Sigilo master, biografia menor
Lula nunca esteve alheio ao Caso Master. No início de dezembro, logo após Dias Toffoli decretar sigilo absoluto no processo do banco — o já apelidado “sigilo master” —, o presidente almoçou com o ministro na Granja do Torto, em encontro fora da agenda, com a presença de Fernando Haddad. Coube a Haddad detalhar a atuação de Daniel Vorcaro, seus tentáculos e a engrenagem do escândalo financeiro. Ao final, Lula foi direto: Toffoli teria ali a chance de “reescrever sua biografia”. Até agora, porém, o ministro parece optar por acrescentar um capítulo constrangedor à própria trajetória. Não por acaso, ao tentar novo encontro com Lula, para fevereiro, Toffoli não obteve resposta até agora. Está cada vez mais encurralado pelas suas atitudes incompatíveis com o cargo que ocupa.










