Há algo fora do eixo no funcionamento do sistema jurídico. O caso de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, é didático. A prisão preventiva nasceu de um e-mail informal, enviado por alguém fora do processo, sem perícia, sem cadeia de custódia e sem verificação técnica. Bastou. O despacho partiu do ministro Alexandre de Moraes (foto: Rosinei Coutinho/STF) com base na hipótese de uso indevido de rede social. A defesa reagiu com um dado concreto: relatório oficial do LinkedIn indicando que o último acesso ocorreu meses antes do período citado. Ainda assim, a Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, optou por sustentar a prisão, afirmando existir “prova documental”. Convicção contra dado verificável. Quando o Ministério Público abdica do contraditório e se alinha por reflexo ao Supremo Tribunal Federal, algo se rompe. Justiça não convive com e-mails apócrifos nem com deferência automática. A história real desse período talvez venha à tona um dia. O problema é o custo institucional até lá.










