A condução de Roberto Campos Neto (foto: José Cruz/Agência Brasil) no episódio do Banco Master revela o custo político e técnico de priorizar soluções de mercado diante de sinais claros de fragilidade. Sob sua presidência, o BC acompanhou de perto a situação em 2024, que incluía cronograma pesado de pagamentos e baixo volume de ativos líquidos. Campos Neto, porém, evitou a intervenção e apostou na possibilidade de separar ativos bons e ruins, reduzindo impacto para o sistema e para o FGC. O problema é que, nesse período, o Master já havia frustrado a captação prevista de R$ 15 bilhões, obtendo apenas R$ 2 bi, e acumulava irregularidades, captadas pelo BC.
A liquidação acabou sendo decidida apenas na gestão de Gabriel Galípolo, a partir de 2025, quando o banco, que saltou de R$ 3,7 bilhões em ativos em 2019 para R$ 82 bilhões em 2024, já não conseguia rolar dívidas nem recolher compulsório. O ambiente claramente deteriorado evidencia os limites da estratégia adotada por Campos Neto e expõe como a agenda de estímulo a bancos médios e pequenos esbarrou nos limites da supervisão quando o crescimento acelerado passou a conviver com riscos estruturais.










