A iniciativa do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin (foto: reprodução internet), de impor algum autolimite, com a ministra Cármen Lúcia como relatora, durou dois dias. Bastou a reação de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes para a proposta afundar. O recado foi cristalino: o tribunal rejeita freios, mesmo os internos. Em paralelo, o desgaste do procurador-Geral da República, Paulo Gonet, agrava o quadro — cautela excessiva, silêncio em temas sensíveis e alinhamento visível ao STF alimentam a suspeita de falta de autonomia. O clímax veio com o cancelamento do almoço do dia 12, no qual Fachin trataria do cronograma do código. O encontro foi “adiado” após avisos de ausência e horas depois de Moraes enviar recados públicos contra a proposta. Poder sem controle, fiscalização sem voz. O dano é estrutural.
PGR em câmera lenta
A imagem do procurador-geral da República Paulo Gonet, também, derrete em praça pública. Não por acaso. A percepção dominante é a de um PGR hesitante, seletivo e excessivamente cauteloso diante de temas que exigem clareza institucional. A demora em se posicionar sobre abusos de poder, a leitura excessivamente política de investigações sensíveis e a sintonia fina — fina demais — com alguns integrantes do Supremo Tribunal Federal alimentam a suspeita de submissão, não de autonomia. Some-se a isso o silêncio estratégico em momentos-chave e a sensação de que o Ministério Público perdeu o ímpeto fiscalizador para virar coadjuvante do arranjo institucional. O resultado é corrosivo: a opinião pública conclui que o guardião virou parte do jogo. E quem assim joga perde a autoridade moral que deveria sustentar em plenário ou fora dele.










