Durante décadas, os Estados Unidos olharam o Irã mais como herança da antiga Pérsia do que como ator político contemporâneo. Isso mudou no início dos anos 1950, quando Mohammed Mossadegh chegou ao poder e foi recebido em Washington como estadista moderno, símbolo de um Irã que enfim entrava no século XX. Setenta anos depois, o cenário é o oposto: as relações entre Teerã e Washington se resumem a um impasse duro e estreito. As negociações de hoje giram em torno de três eixos: o programa nuclear, o apoio iraniano a grupos armados e os mísseis balísticos. A repressão interna ficou fora da mesa. Teerã exige o fim das sanções e aceita discutir apenas o dossiê nuclear, amparado pelo direito previsto no Tratado de Não Proliferação Nuclear. Já Donald Trump (foto: Mandel NGAN/AFP) tende a exigir o fim total do enriquecimento de urânio, algo além do que o Irã aceitou no acordo de 2015. Há margens táticas: o regime pode reduzir vínculos com o Hamas ou relativizar o apoio aos Houthis. Mas abandonar o Hezbollah ou aceitar limites aos mísseis balísticos é politicamente inviável. O resultado provável é a frustração das negociações — e o risco crescente de confronto militar, cujo alcance e desfecho seguem incertos.










