Laurence Kotlikoff (foto: Vernon Doucette/Bostonia), economista que estuda envelhecimento e finanças públicas, ajuda a sustentar a ideia de que aposentadoria virou equação fiscal delicada e, para muitos, inviável. A velha engrenagem travou. Durante décadas, o roteiro era previsível: os mais velhos deixavam o palco, os jovens entravam em cena. Hoje, a lógica se inverteu. Nos EUA, está mais difícil para a Geração Z conquistar o primeiro emprego do que para um profissional de 65 anos permanecer ativo. O custo de vida corroeu aposentadorias. Parar virou privilégio. Some-se a isso a longevidade produtiva: muitos não querem sair, e a experiência virou ativo estratégico. Os números falam alto. A idade média de contratação chegou a 42 anos. Desde 2022, a presença de jovens até 25 anos caiu pela metade, enquanto contratações acima dos 65 quase dobraram. Forma-se uma guerra silenciosa. Jovens encaram um funil estreito, enquanto os veteranos estendem a permanência. Empresas reveem benefícios e modelos de trabalho. A aposentadoria definitiva entra para o museu. O ciclo da vida mudou e o trabalho ficou para sempre.










