A escassez de mão de obra avança no Brasil e já não se limita à construção civil. Nos canteiros, virou regra disputar trabalhadores do concorrente com aumento de salário. Parte do problema vem do aquecimento do setor — impulsionado, principalmente, por benefícios sociais como pelo Minha Casa, Minha Vida. Mas há forças mais profundas: a migração para ocupações autônomas via aplicativos e a expansão de benefícios sociais, que reduzem o incentivo ao trabalho formal em atividades pesadas. O fenômeno não é só brasileiro — a Europa enfrenta quadro semelhante há anos —, o que indica mudança estrutural no mercado de trabalho. Medidas como o possível fim da jornada 6×1, defendida pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (foto Marcelo Camargo/Agência Brasil), podem agravar a escassez. A resposta inevitável será mais tecnologia, uso de pré-fabricados e investimento em qualificação. Só que isso exige tempo, decisão política e enfrentamento de resistências — inclusive sindicais.











