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Roberto Brant: um plano para salvar um país em crise generalizada

Por Paulo César de Oliveira
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Roberto Brant (foto: ACMinas / Reprodução)

Convidado a elaborar o plano de governo do pré-candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado, o ex-ministro Roberto Brant (foto: ACMinas/ Reprodução) é um profundo conhecedor da administração pública. Enquanto aguarda a orientação do caminho que deve tomar, Brant fala dos problemas do país e das instituições cada vez mais ineficientes e desacreditadas. O caminho para sair dessa polarização e dessa crise, segundo ele, é só um: o voto.

Para alguém que conhece profundamente a administração pública, o que está acontecendo que impede o país de avançar?

Acho que nós estamos em uma situação de uma crise generalizada. O país está numa encruzilhada. O crescimento baixo, a falta de confiança da população nas instituições, briga entre os Poderes. Quer dizer, nós estamos não apenas muito mal, como não temos instrumentos, os instrumentos, que são os Poderes, estão estragados. Um dos instrumentos de resolver esses problemas que são o governo, o Parlamento, o Judiciário, estão inaptos para essa tarefa. Então o Brasil está precisando de uma sacudida geral.

As instituições estão contaminadas?

Não é contaminada é que com essa polarização e com tudo isso que teve aí, mais esses casos de corrupção, o país está enfermo e as instituições não estão funcionando. Como é que você enfrenta os problemas? Enfrenta construindo consensos, fazendo mudanças. Em uma sociedade polarizada você não tem, não consegue alcançar o grau de confiança necessário para você construir consensos. Então, um lado torce para o outro dar errado, quer dizer, tem quem ganha, a outra metade da população torce para dar errado. Isso não tem como, não pode continuar.

A população está descrente. Ela não confia mais nas suas instituições?

Ela está descrente. A percepção que ela tem é a de que as instituições estão muito corrompidas, voltadas para os seus próprios interesses e, além disso, elas não estão mobilizadas para fazer mudanças importantes para o país. Tudo o que se resolve é coisa de oportunidade, coisa circunstancial, de fim eleitoral. Você só vê o Congresso tratando de coisas que ajuda a eleger os próprios parlamentares. E no governo é a mesma coisa. Está todo mundo só pensando no dia seguinte e no seu próprio interesse. O país, além de estar com graves problemas, não tem nenhuma solução à vista. Esse é o meu sentimento. 

Produtores estão tendo que tirar dinheiro do próprio bolso para melhorar as estradas, porque elas estão intransitáveis e eles não consegue escoar a produção. O governo não consegue resolver esses problemas?

O país, o Estado brasileiro está falido. Não consegue fazer uma ponte, não consegue tapar um buraco, não consegue fazer nenhum projeto novo de infraestrutura. Há quanto tempo que você não vê falar que foi feito uma coisa nova em termos de infraestrutura? Quantos anos tem isso? O Juscelino, em 1955, quando o Brasil era cem vezes mais pobre do que é hoje, fez estrada para todo lado, fez tudo. Quer dizer, nós não fazemos nada. A infraestrutura do país está sendo consumida e o Estado não tem dinheiro para resolver nada. E os impostos são caríssimos. O Brasil precisa de mudanças generalizadas. Se tudo continuar como está, nós vamos ter uma crise muito grave na frente, logo ali na frente. 

O Estado está muito grande e ineficiente?

Grande e não faz nada. O Estado não é grande, ele é gordo, ele não pode se mexer, ele não vai a lugar nenhum. O Estado hoje foi capturado por interesses privados, e os políticos estão usando o Estado para se reeleger, para se manter no poder, para mais nada. Não tem nenhum projeto transformador. Então isso é uma tristeza. E o povo vai ficando desolado. Eu sei é que pode continuar uma polarização, com metade torcendo para o outro dar errado. 

Como resolver isso para tirar o país desse buraco?

Só a democracia. É só o voto popular, só o voto. Enquanto o voto for usado para manter isso que está aí, o país não vai avançar. No regime democrático não tem outro caminho, não tem um salvador da pátria que vai cair do céu. No passado, as pessoas sonhavam com a ditadura. A ditadura torna o país pior e não melhor. Então é só no voto mesmo. É continuar insistindo no voto. 

Os atuais políticos se perpetuam no cargo, porque a política está toda voltada para favorecê-los, não é? 

Claro, eles só usam os instrumentos do Estado para se eleger, para mais absolutamente nada. Absolutamente mais nada além disso. Tanto o presidente da República como os deputados, como senadores eles vivem só tratando de se reeleger eternamente. São raríssimos os casos de pessoas que têm espírito público, enxergam um pouco à frente, que querem mudar alguma coisa. Por que que ninguém quer mudar nada? Porque está tudo ótimo para eles. Agora, sem mudanças gerais e generalizada no país, o país não vai se mover. Esse é o meu sentimento como cidadão, não é como quem vai fazer planos de governo. Eu vou sugerir coisas, vou dar opiniões. Ele me escolheu porque ele conhece as minhas ideias. Ele me conhece. Nós fomos colegas deputados por 16 anos e depois continuamos mantendo relações pessoais. Ele me conhece. Quer dizer, se ele me chamou é porque ele quer alguma coisa do que eu penso. Não tem um Salvador da pátria. Todos os aventureiros que chegaram, tornaram o país pior. Jânio Quadros, Collor e o próprio Bolsonaro. Essas pessoas tornaram o país pior.

Sueli Cotta

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