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A química virou reação adversa?

Por Paulo César de Oliveira
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daniel perez (foto: American Legislative Exchange Council)

Alguma peça parece ter saído do lugar na engrenagem diplomática entre os presidentes Lula e Donald Trump. A indicação de Daniel Perez (foto: American Legislative Exchange Council) para a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi recebida com desconforto no Itamaraty não pelo nome em si, mas pelo rito ignorado. Parlamentar da Flórida e aliado de Trump, Perez teve sua indicação enviada diretamente ao Senado americano antes da consulta reservada ao governo brasileiro, procedimento conhecido como agrément. Pela tradição diplomática, o país anfitrião é consultado de forma discreta antes do anúncio oficial do futuro embaixador. O episódio não chega a configurar uma crise, mas revela um clima menos harmonioso do que o sugerido pelos discursos protocolares. Na diplomacia, gestos contam tanto quanto palavras. Essa indicação expõe ruídos entre Brasília e Washington, como se fora uma diplomacia sem aviso prévio. E, às vezes, uma simples formalidade esquecida acaba transmitindo mensagens que nenhum dos lados pretendia admitir publicamente.

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