Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Esse ditado calha perfeitamente para alimentar o presidente do Supremo Tribunal Federal em sua pregação por um código de ética. Ao defender que “muitas vezes o silêncio institucional vale mais que o protagonismo individual”, o ministro Edson Fachin (foto: Bruno Moura/STF), parece ter identificado um dos males que contribuíram para desgastar a imagem do Judiciário nos últimos anos. A observação chega em momento oportuno, mas inevitavelmente desperta uma pergunta: por que essa reflexão demorou tanto a ganhar destaque dentro das próprias cortes? Em meio a discussões sobre códigos de conduta e investigações envolvendo magistrados, a fala de Fachin soa como um reconhecimento indireto de que a excessiva exposição pública de juízes nem sempre fortalece as instituições. Autoridade judicial se constrói pela qualidade das decisões, não pela frequência das aparições. Quando a discrição vira exceção, o silêncio passa a parecer uma novidade.










