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Governador Zema e a liturgia do cargo

Paulo César de Oliveira
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Hamilton Trindade

Hamilton Trindade

O governador Romeu Zema se insinua, desde muito, com a candidatura a presidente da República do Brasil. Tirando fora a sua ainda fraca atuação política em termos de Brasil, pecou e peca por não ter escolhido, desde o início do seu governo e, agora, no exercício do 2° mandado, com a sua reeleição, uma grande agência de marketing e publicidade, para aumentar a sua musculatura eleitoral. O governador Zema está, ainda, recluso aos limites de Minas Gerais e sem densidade e capilaridade eleitorais e sem apoios maiores e partidários, e mesmo de outros setores da política e da economia, para a sua candidatura. Também sem o discurso de um paladino maior e de uma proeminente liderança de causas que contaminem a gente Brasil e que lhe traga luz própria. O governador Zema está refém do seu próprio isolamento político eleitoral. Há um fato ainda mais soberano, e até incoerente, para a análise de quantos entendem do riscado político. Abandonando e modificando a liturgia tradicional do cargo de governador, com a sua opção de não residir no Palácio das Mangabeiras e dar ao mesmo outro destino, ele perdeu a opulência de mandatário maior das Minas Gerais. Principalmente, por estar em casa sem a estrutura física, administrativa e litúrgica para o cargo de Governador do Estado de Minas Gerais. Não estamos criticando a forma franciscana de viver do nosso governador e a respeitamos. Mas ao deixar a residência oficial de Governador, diminuiu e muito a sua dimensão de um líder majestático e com isso, ele perdeu muito do poder do cargo de governador. O Palácio residência oficial do Governo de Minas, continua vivo na memória da classe política, da classe jurídica, da classe empresarial, das entidades civis, militares e religiosas e da população. Sempre foram orgulho para os mineiros, o Palácio da Liberdade o Palácio das Mangabeiras. Lugares mais que consagrados na história política de Minas, com todos que residiram e despacharam nos mesmos e ali foram recebidos. A liturgia e a simbologia são inerentes ao cargos de gestores nos estados brasileiros e do vice e do presidente do Brasil. No imaginário de muitos e não poucos dos mineiros e brasileiros, o governador Zema poderá, caso seja eleito presidente, abandonar o Palácio da Alvorada e ir morar num apartamento funcional em Brasília, enquanto seu vice optaria pelo Palácio do Jaburu. Além do Governador Zema ter deixado, para outros setores, as aeronaves próprias do Governador de Minas. Não precisamos comentar sobre as suas vestimentas, do terno e da gravata. O que, no conjunto, traduzem a liturgia do cargo. Assim, a turma do marketing e da publicidade e das mídias eleitorais, que trabalharão a imagem do governador Zema, terão que dar tratamento a este imbróglio, criado pelo governador Zema, de abandono à liturgia do cargo e a tudo que caracteriza e dá personalidade e autoridade a quem ocupa o cargo de governador e de presidente da República.
Hamilton Trindade - professor, consultor político, ex-diretor de jornais e Tv e articulista - 16/02/2025.

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