O presidente Lula (foto Marcelo Camargo/Agência Brasil) quer explorar nas eleições o quadro que o Brasil exibe: desemprego em mínima histórica, renda média em alta e pobreza extrema em recuo. À primeira vista, pareceria a superação de velhos entraves. Contudo, a produção por trabalhador pouco avançou em décadas. Crescemos na ocupação, não na eficiência. A base segue frágil, marcada por baixa produtividade e investimento insuficiente. Ao mesmo tempo, a tecnologia diluiu diferenças visíveis. Smartphones alcançam quase 90% da população e a internet está em 92,5% dos lares. Pix, fintechs e comércio digital reduziram barreiras de acesso. Streaming e consumo globalizado padronizam hábitos. O país tornou-se mais semelhante no que consome, do que no que possui. O índice de Gini caiu a cerca de 0,50 em 2024, mas o 1% concentra quase 40% da riqueza, enquanto metade da população detém apenas 2%. A desigualdade patrimonial persiste. Somos mais iguais na vitrine, não na estrutura.










