O ano eleitoral começou com o pé no gasto. Executivo, Legislativo e Judiciário abriram 2026 distribuindo reajustes, gratificações e novos cargos — alguns dentro do Orçamento, outros escancaradamente fora do espírito do arcabouço fiscal. O Congresso aprovou aumentos próximos de 9% ao ano para seus servidores, com bônus que podem dobrar salários. O Executivo criou milhares de cargos e redesenhou carreiras, com impacto potencial superior a R$ 5 bilhões. No Judiciário, a porteira foi além: o Supremo Tribunal Federal retirou receitas do Ministério Público do teto fiscal, repetindo o benefício já concedido aos tribunais. O resultado é previsível: cada Poder cuida do seu, dribla a regra comum e empurra a conta para a União abstrata — aquela que nunca vota. Enquanto o governo promete ajuste “no horizonte previsível”, o presente mostra outra coisa: um pacto silencioso de autoproteção corporativa. O arcabouço vira cenário; o gasto, protagonista. Em Brasília, austeridade é discurso. Benefício é prática. O ministro Edson Fachin (foto: Nelson Jr./STF), ), o presidente Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta se juntam para derrubar o arcabouço fiscal, que virou peça de ficção.
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