Nos bastidores de Brasília, Executivo, Legislativo e Judiciário ensaiam uma solução curiosa para o impasse dos chamados “penduricalhos” do funcionalismo: aumentar o próprio teto salarial do setor público. A ideia em discussão seria elevar o subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal — hoje referência para todo o serviço público — e deixar que o reajuste se espalhe em cascata pelas carreiras. A proposta surgiu após decisões judiciais que suspenderam adicionais e gratificações. A equipe econômica do governo Lula vê o aumento como fiscalmente impraticável. Há ainda o fator político: em ano eleitoral, elevar salários no topo do funcionalismo soa indigesto para a opinião pública. Uma alternativa discutida seria diluir o reajuste ao longo de vários anos. Levantamento mostra que apenas os retroativos pagos a magistrados chegaram a R$ 4,2 bilhões em 2025 — quatro vezes mais que cinco anos antes. Nos últimos dias, decisões dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino (foto: Gustavo Moreno/STF) suspenderam repasses acima do limite e determinaram maior controle sobre pagamentos retroativos.










