Minas pode perder, ou ver adiado, um projeto de R$ 1,5 bilhão que a AcellorMittal estuda desenvolver em João Monlevade. As incertezas da economia e as últimas decisões tomadas pelos governos, tanto federal quanto estadual, que afetaram profundamente o setor siderúrgico, estão levando a empresa a repensar o projeto que ainda não está totalmente definido. Segundo o Ceo da empresa e um dos vice presidentes da FIEMG, Jefferson De Paula (foto), o setor industrial brasileiro não pode continuar “tomando um susto” a cada momento, com medidas, como as adotadas durante a greve dos caminhoneiros, que provocaram grande impacto no setor siderúrgico, levando ao risco de fechamento de empresas.. O empresário afirma que a siderurgia, assim como outros setores produtivos, precisa trabalhar com previsibilidade e que medidas adotadas de forma precipitada podem causar sérios problemas às empresas. Mesmo cauteloso em sua análise, Jefferson de Paula não esconde a preocupação do setor produtivo com as próximas eleições. Pessoalmente diz ter expectativa de que “ o brasileiro aprenda a votar e vote consciente”, não apenas para a escolha do Presidente mas também para os governos estaduais e os Legislativos.
Engrossando o tom
Jefferson de Souza fez os comentários ao participar ontem, na Fiemg, de uma entrevista coletiva, juntamente com o presidente da entidade, Flávio Roscoe, e com presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, que veio a Minas para discutir ações que possam estancar as perdas do setor siderúrgico nos últimos anos. Segundo documento elaborado após a reunião, a indústria brasileira produtora de “todo tipo de aço”, emprega 100 mil pessoas no país, mas a partir de 2015, com o surgimento da crise econômica, dispensou “45 mil destes colaboradores”. A situação tende a se agravar com a política americana de restrição à importação de aço e com a medida anunciada pelo Governo Temer de redução da alíquota do Reintegra, programa que ressarce os produtos exportados dos resíduos tributários. A redução da alíquota foi uma das alternativas encontradas pelo governo para subsidiar o preço do diesel. Para Marco Polo de Mello, esta medida tira a competitividade do aço brasileiro e atinge diversos outros setores exportadores. “Sem o Reintegra haverá redução em todos os setores que exportam”. Para ele, o governo brasileiro, ao seguir a lógica dos técnicos da área da Fazenda, sinalizou que abriu mão da indústria de transformação pois busca abrir o mercado “ sem correção das assimetrias competitivas”. Flávio Roscoe afirmou que ao adotar medidas que tiram a competitividade da indústria, o país está “comendo o seu futuro”.