Enquanto o país cobra austeridade do contribuinte, o Estado distribui privilégios no andar de cima. Em apenas um ano, o Brasil gastou cerca de R$ 20 bilhões com supersalários, uma cifra 21 vezes maior que a registrada na Argentina. O contraste revela mais que generosidade institucional: expõe uma engrenagem que contorna o teto constitucional com penduricalhos e interpretações criativas. Decisões recentes do Supremo Tribunal Federal que dificultam o combate a esses pagamentos ampliam a sensação de impunidade administrativa. Como observa a pesquisadora Jessika Moreira (foto: arquivo Pessoal). o efeito vai além da folha salarial: corrói a confiança da sociedade no Estado. Quando o topo do serviço público parece viver em outra realidade, a credibilidade institucional paga a conta.










