O BNDES, que chegou a liberar R$ 200 bilhões em financiamentos ao ano, caiu para menos de R$ 90 bilhões nos últimos anos. O atual presidente do Banco, Paulo Rabelo (foto), disse ontem, em Tiradentes, no Conexão Especial, parte do Conexão Empresarial, evento promovido pela VB Comunicação, que após a ex-presidente do Banco Maria Sílvia Bastos Marques, ter colocado a casa em ordem, chegou o momento de liberar os recursos. Essa liberação irá acontecer de maneira célere, segundo Paulo Rabelo, que disse para empresários mineiros, que pretende acelerar o processo e facilitar para médios, pequenos e microempresários. Para ele, é importante desfazer essa imagem de que Maria Silva foi a causadora da redução dos investimentos do BNDES, porque não é verdade. Segundo Paulo Rabelo ela, na realidade, conseguiu estabilizar essa queda. Para ele, tem que se parar com essa prática no país, de encontrar alguém para ser o carrasco e de criticar as gestões anteriores, é preciso parar "de jogar pedra na Geni".
Temperatura vai esquentar
A temperatura política só vai esquentar daqui para frente, devido a proximidade com o processo eleitoral de 2018, mas Paulo Rabelo entende que, apesar desse cenário, o risco político no país começa a diminuir com a decisão do TSE de absolver a chapa Dilma/Temer, da denúncia de abuso de poder econômico e uso de caixa dois nas eleições de 2014.
Desenvolvedor
O presidente do BNDES, Paulo Rabelo, disse aos empresários que pretende valorizar a palavra desenvolvedor daqui para frente, para estimular os pequenos empresários, que não sabem como chegar às linhas de crédito. Eles passarão a ter acesso à essas informações. Ele explicou que será criado um canal pela internet, para garantir o acesso ao BNDES. Para Paulo Rabelo, são os pequenos empresários que garantem os empregos que o país está precisando. Ele citou, no encontro em Tiradentes, os números que o governo tem de pessoas que estão fora do mercado de trabalho. Segundo ele, além dos 14 milhões de desempregados existem mais de 10 milhões que estão subempregados, o que eleva para quase 25 milhões o número de pessoas sem emprego no país. É preciso criar empregos e é nisso que o governo pretende trabalhar nos próximos seis meses.
Conversa com governadores
Está agendado para quarta-feira, um café da manhã com os presidentes do BNDES, Paulo Rabelo, e do Senado, Eunício Oliveira, com governadores, para destravar os créditos para os estados. Mas Rabelo já avisou que não existe almoço grátis. Serão impostas algumas exigências nas linhas de incentivo e do fomento. Mas a ideia não é a de repetir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que só diz não, mas criar a Lei de Eficiência, que diz sim aos estados.
Conversa com empresários
No encontro com os empresários mineiros, em Tiradentes, Paulo Rabelo foi questionado sobre esse processo de liberação de linhas de crédito. O presidente da Fiemg, Olavo Machado Jr, ponderou que o que o preocupa é que o banqueiro quando vai procurar o empresário, normalmente é para tomar alguma coisa e pediu que o BNDES inclua as empresas no conteúdo nacional, e é nesse processo, que eles enfrentam a resistência da Petrobras. A ideia, segundo Olavo Machado, é a de que as máquinas usadas pela estatal sejam compradas de empresas nacionais, em especial as mineiras, que além dos investimentos, precisariam de juros mais humanos. O presidente da Codemig, Marco Antonio Castelo Branco, também cobrou mais agilidade e menos burocracia na liberação dos recursos, um problema, que, segundo ele, é uma das maiores dificuldades para as empresas. O deputado Fábio Ramalho, que também participou do painel, defendeu a reforma da Previdência, como essencial para que o país consiga seguir adiante.