Ao defender o fortalecimento do renminbi (moeda oficial da China) e a redução da hegemonia do dólar, Xi Jinping (foto: Divulgação/Xinhua) explicitou uma ambição estratégica de longo prazo. O momento é simbólico: desde o retorno de Donald Trump, a moeda americana perdeu valor, reacendendo especulações sobre uma ordem monetária menos concentrada. Os números, porém, impõem sobriedade ao debate. O dólar ainda responde por cerca de 57% das reservas globais; a moeda chinesa não chega a 2%. Fatores como o uso político de tarifas, a polarização interna nos EUA e a expansão de transações em moedas locais ajudam a corroer, lentamente, a centralidade do dólar. Mas substituí-lo exigiria da China reformas que Pequim evita: abertura plena da conta de capital, maior transparência e conversibilidade irrestrita. O mais provável não é a troca de hegemonia, mas a acomodação gradual. O renminbi pode ganhar espaço como moeda complementar, sem desalojar, tão cedo, o eixo do sistema financeiro internacional.











