Apesar do desempenho ruim das vendas, a indústria automobilística voltou a aumentar a produção no fim do ano passado, num ritmo anual de 15%. Diante dos sinais de que esse setor importante voltou a respirar, o diretor da Macrométrica, Francisco Lopes (foto), melhorou sua estimativa de crescimento da economia para 1,4% neste ano, chegando a dizer que não há a menor chance de o número não ser positivo. Essa visão destoa daquela que tem prevalecido entre a maioria dos economistas, que projetam expansão de apenas 0,5% em 2017. O Itaú, que era o mais otimista, reduziu sua previsão de 1,5% para 1%.
Expectativa é de aumento das exportações de industrializados
As expectativas otimistas, porém, advêm principalmente do aumento das exportações de industrializados. No ano passado, a quantidade embarcada cresceu nas duas categorias que compõem os itens industrializados: 8% nos manufaturados e 9,5% nos semimanufaturados. Esse resultado se deve em grande parte às exportações de veículos. "Quando um setor como esse produz mais, gera renda, o que incentiva a demanda em outros segmentos, em um processo multiplicador que é característico dos ciclos econômicos", diz Francisco Lopes.
Quebradeira generalizada
Já o economista Felipe Rezende, pesquisador e professor associado da Hobart and William Smith Colleges, nos Estados Unidos imagina que tão logo Donald Trump tome posse e comece a implementar a política que vem apregoando, haverá uma reprecificação dos ativos globais. Em decorrência, o Federal Reserve (FED) seria obrigado a elevar os juros e, por via de consequência, o dólar seria valorizado no mercado de câmbio. Esse cenário agravaria a crise global, trazendo como consequência para o Brasil uma maior exposição dos bancos, via renegociação e reestruturação de contratos de empréstimos com empresas extremamente endividadas, o que obrigará a indústria bancária a reconhecer enormes perdas em seus balanços fruto da quebradeira que se avizinha. Adequar o cenário doméstico ao internacional será uma tarefa hercúlea para a equipe econômica comandada por Meirelles.