O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto: Washington Costa/MF), estruturou uma máquina tributária eficiente, mas o Estado continua gastando mais do que arrecada. A receita recorde de outubro, a maior em três décadas, somada aos R$ 2,3 trilhões acumulados no ano, deveria trazer alívio fiscal. No entanto, o governo trata o gasto como um princípio vital. O déficit das estatais subiu de R$ 5,5 bilhões para R$ 9,2 bilhões, com os Correios simbolizando uma gestão que normaliza prejuízos. As empresas públicas funcionam como cofres paralelos e refúgios de apadrinhados, financiando projetos que não passariam pelo crivo orçamentário. Sem privatizações, resta ampliar tributos. O IOF, criado para regular o crédito, virou instrumento arrecadatório e rendeu R$ 8,1 bilhões em outubro. A engenharia fiscal projeta mais R$ 10 bilhões em 2026.
Enquanto isso, o arcabouço se desfaz, com despesas sendo retiradas dos limites. O principal freio é o próprio Lula, que enfraqueceu as propostas antes do Congresso. O fôlego fiscal diminui, mas o apetite por gastos permanece. E 2026, ano eleitoral, tende a amplificar tudo.










