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Vale não fez mal a ninguém

Paulo César de Oliveira
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Salim Mattar (foto) saiu em defesa da Vale, após o acidente em Brumadinho e foi massacrado nas redes sociais. No seu entendimento, a Vale, como empresa com CNPJ, não fez mal a ninguém. Os erros, segundo ele, foram cometidos por seres humanos e essas pessoas devem pagar. “Neste desastre terrível, estou vendo a sociedade sacrificando a companhia, quando deveriam ser sacrificadas as pessoas que tomaram as atitudes”. Essa lógica é adotada em muitos países para que as empresas envolvidas em algum processo ou escândalo sejam preservadas e seus diretores e funcionários envolvidos, esses sim, penalizados para a preservação de empregos e arrecadação. 

 

Um plano para privatizar

O comentário de Mattar foi em encontro com investidores, quando anunciou que governo Bolsonaro quer vender pelo menos 20 bilhões de dólares em ativos de companhias estatais neste ano, incluindo partes da Petrobras e do Banco do Brasil. O secretário de Desestatização e Desinvestimento, um dos fundadores da rede de aluguel de carros Localiza, afirmou ainda que o governo quer que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal vendam a maior parte de suas subsidiárias nos próximos quatro anos. “Porque o Estado brasileiro tem que vender seguros? Não faz sentido”, na conferência de investimentos promovida pelo Credit Suisse, em São Paulo. Em sua apresentação, Mattar listou todas as subsidiárias de seguros da Caixa e a BB DTVM como potenciais alvos de privatização. Ele afirmou que a Petrobras deve vender a maior parte de suas 36 subsidiárias, enquanto o BB poderá vender até 16, acrescentando que espera que tais vendas sejam mais rápidas que a privatização de estatais controladas por ministérios do governo, como os Correios ou a Infraero.

 

Eletrobras na lista de privatizações

Mattar afirmou ainda que o governo planeja privatizar a Eletrobras por meio da venda de ações adicionais em um aumento de capital. Mattar estimou que todas as estatais valem entre R$ 700 bilhões e R$ 800 bilhões. O secretário surpreendeu os participantes da conferência ao afirmar que o governo Bolsonaro quer fechar o braço de participações do BNDES, BNDESPar, depois de vender todas as fatias detidas em companhias privadas que possui. Mattar afirmou que tais participações valem 110 bilhões de reais. Ele anunciou ainda que o governo e o Tribunal de Contas da União (TCU) acertaram acordo para criação de um departamento no TCU especializado em privatizações, para acelerar a venda de ativos do governo.

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