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Venda de veículos no Brasil tem “queda dramática”

Paulo César de Oliveira
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A indústria de veículos do Brasil se prepara para uma retomada de produção até junho, mas em ritmo abaixo do normal diante de queda “dramática” de vendas no segundo trimestre e volumes nos meses seguintes provavelmente abaixo dos registrados em 2019. O presidente da associação que representa as montadoras no Brasil, Anfavea, Luiz Carlos Moraes (foto), afirmou ontem, que o faturamento do setor caiu cerca de 80% com os impactos da pandemia de coronavírus no país. “Hoje temos cerca de 43 fábricas paradas, com previsão de retorno a partir do final de abril, meados de maio e algumas em junho”. O retorno, segundo ele, será numa velocidade diferente e com um modelo de produção diferente por questões de segurança, com medidas de proteção dos funcionários e limpeza de maquinário de produção contra possível contaminação pelo novo coronavírus. Os planos de investimentos do setor estão congelados, mas admitiu que parte deles podem ser cancelados pelas matrizes.

 

Emplacamentos desabam

Segundo o presidente da Anfavea, os emplacamentos no final de março eram de cerca de 1.400 por dia, número bem abaixo dos cerca de 10 mil veículos diários antes das medidas de quarentena adotadas por Estados como São Paulo. De lá para o início do mês os licenciamentos melhoraram, segundo Moraes, mas ainda seguem em nível muito menor que os verificados antes da pandemia, da ordem de 2.500 por dia. Além da queda na demanda, do fechamento de concessionárias ocasionado pela crise, o presidente da Anfavea citou também problemas em burocracia de órgãos públicos que registram os licenciamentos. Para Moraes, “o Denatran precisa se reinventar. Por que não fazer licenciamento virtual?”. Ele disse, porém, que caminhões pesados e extrapesados estão tendo melhor desempenho por conta da demanda de setores menos atingidos pela pandemia, como o de produção de grãos.

 

Abandono de planos de investimentos

Diante da necessidade de preservar caixa, Moraes afirmou que os planos de investimentos do setor estão congelados, mas admitiu que parte deles podem ser cancelados pelas matrizes. Ele não mencionou valores. “A prioridade agora é pagar o boleto do mês”, afirmou o executivo. Questionado sobre eventual fechamento de unidades de produção após a passagem da pandemia, Moraes respondeu que a indústria tem “agora uma queda absurda do mercado interno, o mercado de exportação, que já era pequeno ficou menor com a Argentina em situação ainda pior. Temos mais problemas na América Latina...Vejo, sim, um problema difícil”.

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