Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nessa terça-feira mostrou que a corrupção é a questão que mais preocupa o brasileiro. Segundo o gerente de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca (foto), as pessoas estão começando a associar a corrupção à má qualidade dos serviços públicos. “Com os escândalos, esse é um tema diário. A mídia está noticiando a 'Lava Jato' há quase dois anos e a coisa está se expandindo", disse. "A população está percebendo que, de repente, a construção de uma escola passa a ser focada, não no interesse público, mas no interesse de quem a está construindo”. Segundo a CNI, 65% das pessoas consideram a corrupção uma questão extremamente grave no Brasil, seguida das drogas (61%) e da violência (57%). Na pesquisa, feita em 2012, os três principais problemas citados pela população eram drogas (72%), violência (65%) e saúde (62%). A corrupção aparecia em quarto lugar (58%). Já em 2014, drogas (67%), violência (64%) e corrupção (62%) foram colocados como problemas extremamente graves.
Em vez de CPMF, mais eficiência no serviço público
O gerente da CNI relatou que na primeira discussão sobre a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), que destinaria recursos para a área da saúde, outra pesquisa da entidade mostrou que as pessoas sabiam que a saúde precisa melhorar, mas eram contra os tributos. “Para elas, o que bastava era mais eficiência e combate à corrupção”, afirmou. A CNI também perguntou quais deveriam ser as prioridades do governo em 2016. Para 36%, melhorar os serviços de saúde deve ser prioridade, seguida pelo controle da inflação (31%) e, em terceiro, combate à corrupção (26%) e promoção da geração de empregos (26%). “A população já identificou que a corrupção é um problema grave e é preciso dar prioridade nesse combate." A pesquisa apontou ainda que a questão da qualidade da educação aparece em 14ª posição como extremamente grave para as pessoas e, em quinto lugar, quando elencadas as prioridades do governo para 2016. Segundo o gerente da CNI, essa é uma questão que preocupa mais as pessoas que possuem ensino superior e uma renda familiar mais alta. “Infelizmente, as pessoas que tem educação mais baixa não colocam isso [a qualidade da educação] como problema sério. É uma das coisas que o país precisa mudar, porque parte dos problemas com corrupção e geração de emprego passa pela educação”, disse.