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Luis Fernando Verissimo, assim, sem acentos agudos: a eternidade em crônicas

Paulo César de Oliveira
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O acaso lhe abriu portas, mas foi a palavra que lhe deu imortalidade. Verissimo atravessou o Brasil como um cronista absoluto, capaz de enxergar no detalhe cotidiano a grandeza do humano. Se Rubem Braga inventou a crônica moderna, foi Verissimo quem a transformou em espelho e ironia de um país inteiro. Herdeiro do humor americano e da sensibilidade brasileira, soube rir dos absurdos sem jamais abdicar da inteligência. Criou personagens que nos revelavam mais do que eles mesmos: a Velhinha de Taubaté, Ed Mort, o Analista de Bagé – todos nós, disfarçados de caricatura. Verissimo falava pouco, mas escreveu muito. No seu silêncio cabiam saxofones, bibliotecas e pudins de laranja; na sua escrita, coube o Brasil inteiro. Transformou o riso em reflexão, a ironia em denúncia, o detalhe em literatura. Não foi apenas o maior cronista brasileiro: foi a voz mais delicada e implacável do nosso tempo. Deixou-nos frases que ainda soam como sentenças de vida. A morte, dizia, era uma sacanagem. E é verdade. Mas contra ela, Verissimo nos deixou a eternidade das crônicas – esse gesto simples e monumental de olhar o mundo e devolvê-lo em palavras. O caladão que mais encantou com palavras.

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