Sobre o Agente Secreto, que se vende como candidato ao Oscar, mas entrega pouco mais que um enigma sem prêmio: não provoca, não envolve, não inquieta. É cinema que promete abismo e oferece poça rasa. A narrativa patina, os personagens não respiram e o suspense — que deveria ser o motor — vira decoração. O dado mais eloquente é a frustração, mas o coral do desencanto: exceto para os engajados na causa, os demais expectadores estão se decepcionando. Todos perguntando a mesma coisa: por quê? Por que esse filme? Por que esse hype? A resposta talvez esteja menos na tela e mais no circuito. Festivais adoram códigos internos, gestos contidos, silêncios longos — mesmo quando o público boceja. Oscar, às vezes, premia intenção, pedigree, clima político. Nem sempre cinema de verdade. Mas, para muitos, bom gosto também é saber dizer “não funcionou”. E aqui, claramente, não funcionou. (Foto: Divulgação/Vitrine Filmes)










