Não sei se vocês concordam comigo: na minha opinião, o brasileiro terá que ser um povo teimoso neste ano que está começando hoje. Contra nós há previsões negativas de astrólogos, cartomantes, analistas, especialistas, economistas, futurólogos, enfim, de tudo que possa desenhar o ano de 2016. Não vamos dar certo neste ano, apostam e garantem todos. É aí que entra a teimosia. É com ela que contamos para virar este jogo e fazer este ano bem melhor do que foi o ano passado. Fácil? Nem de longe, mas o jeito é fingir que não sabemos o que dizem os astros e os técnicos e tocar adiante.
Tudo ficaria mais fácil se tivéssemos alguém para ir à frente, tateando o caminho, mostrando os atalhos a serem seguidos.Falo de um líder, alguém capaz de conduzir, de dizer “aqui tem um problema que vai exigir sacrifício para ser vencido” e o povo entender, aceitar e fazer força pela superação. Até onde a vista alcança, nunca tivemos alguém assim no nosso mundo político. Tivemos sim empreendedores, como Juscelino, um persistente visionário que modernizou o país. Tivemos um Getúlio, que normatizou as relações do trabalho no Brasil, que criou empresas como a Petrobras e a CSN. Mas ninguém capaz de organizar o país para que alcançasse uma estrutura física e normativa que sustentasse um crescimento de longo prazo. Tivemos ao longo dos anos espasmos de crescimento, logo seguidos por espasmos de retrocesso, numa roda viva que não nos permitiu segurança para crescer.
Agora mesmo, com Lula, vivemos um destes espasmos de crescimento que alçaram o ex-presidente à condição de líder popular. Lula mais se parece com um mito, como outros que tivemos, do que com alguém realmente líder. Foi endeusado por alguns programas sociais, em sua maioria herdados do antecessor, e por programas econômicos que agora se mostram como um pesadelo para a presidente Dilma. 2015 é não fruto apenas das mentiras e irresponsabilidades de 2014, ano de sucessão presidencial. O ano que ontem deixamos para trás é o resultado, sim, da inconsistência de programas desenvolvidos ao longo da última década, que podem ter gerado resultados imediatos, capazes de assegurar votos, milhões deles, mas que não prepararam o país para o futuro.
O imediatismo, é preciso reconhecer, não é culpa apenas dos políticos. O eleitor é viciado nele. Quer solução rápida para seus problemas- poucos são os que se preocupam com a coletividade- e por isso se transformam em presas fáceis dos políticos oportunistas. Foi assim ao longo dos anos. Tem sido assim nos últimos anos e, se não mudarmos, será assim nos próximos anos. Então, mãos à obra em 2016.
Mas nossa conversa não acaba aqui. Falamos em teimar que é o mesmo que perseverar. É o que precisamos fazer. Vamos juntos sair desta crise. O governo, se quiser, que nos acompanhe. Os que estão aí, não têm capacidade de liderar qualquer processo. Falta aos governos- não excluam os Legislativos- credibilidade para sustentarem qualquer processo de mudança. Não têm coragem de se expor, de mostrar ao povo a verdade. Precisam entender que o povo é capaz de assumir seu papel, de suportar dificuldades, desde que não mintam, não prometam o que sabem impossível. É isto que esperamos em 2016. Que surjam na sociedade os que se dispõem a empurrar as mudanças. Se fosse possível, dispensaríamos os governos desta tarefa. Como não é, espera-se que eles colaborem para que 2016 seja o ano do início das mudanças. Mesmo que os frutos delas venham mais è frente. Um ótimo ano para todos.