A Doutrina Monroe nasceu como um “não se metam” elegante, vestido de diplomacia: a América para os americanos, mas com Washington no volante e luvas de seda. A tal “Doutrina Donroe”, versão caricata e musculosa de Donald Trump (foto: Jonathan Ernst/Agência Brasil), tenta repetir o enredo com menos latim e mais megafone. Trump reedita o instinto de tutela: proteger, influenciar, enquadrar — mas agora com slogans, tarifas e ameaças no lugar de notas diplomáticas. A semelhança é cruelmente clara: ambas reivindicam liderança moral para justificar poder político. Uma dizia “eu cuido”, a outra berra “eu mando”. No fundo, é o mesmo velho impulso imperial disfarçado de zelo continental — só que, desta vez, com o barulho de um reality show.











