Em poucos meses, Donald Trump (foto: Kenny Holston/POOL/AFP) deixou de ser ruído retórico para se tornar variável central em decisões estratégicas. Após ordenar a prisão de um chefe de Estado adversário e a morte de outro, consolidou a imagem de líder capaz de alterar regras sem aviso. Esse poder reverbera além da segurança: influencia tarifas de exportação, regulações digitais, exploração de terras-raras, acordos comerciais e o fluxo de capitais em infraestrutura. No Brasil, o impacto é direto. O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro precisam calibrar suas estratégias diante de um interlocutor volátil. Trump, antes associado ao discurso bolsonarista, agora prepara um encontro com Lula em Washington, que diplomatas veem como oportunidade para remover sobretaxas e atrair investimentos em mineração e tecnologia. Ainda assim, sua imprevisibilidade impede qualquer cálculo duradouro. Em ciclos eleitorais, líderes assim não são apenas participantes, tornam-se o próprio terreno onde o jogo é disputado.










