Igor Carvalho de Lima
Arrogância é definida como “qualidade ou caráter de quem, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; orgulho ostensivo, altivez”. Infelizmente, o tão esperado ano eleitoral de sucessão presidencial se inicia com este substantivo moldando as regras em mais um jogo de poder.
O que se observa nas pesquisas qualitativas nacionais, são muitos eleitores cansados da polarização, receosos por mais um ano repleto de discussões e brigas familiares sobre temas políticos. Estes mesmos eleitores valorizam a humildade do candidato a presidente, bem como a capacidade de sentir os problemas que afligem a maioria da população com restrição de renda, a famosa empatia. Por isso, gostariam de contar com a opção de uma terceira via. Mas, no Brasil prevalecem dois lados extremos que conseguem chegar com facilidade aos 30% de votos
Este privilégio faz das negociações políticas meras divagações, pois quem dá as cartas, é quem tem seus seguidores. Se a candidatura de Flávio Bolsonaro for confirmada, teremos o terceiro embate de rejeição por rejeição. Um processo em que o eleitor de centro fica acuado e acaba escolhendo com verdadeiro temor o menos ruim. E não escolhe a terceira via por não enxergar viabilidade de vitória. Este cenário deixa os protagonistas naturalmente arrogantes. Lula há muito tempo já abandonou sua veia carismática e popular para alimentar esta polarização, sem correr o risco de um terceiro candidato com menor rejeição. Novamente, segmenta sua base no confronto de pobres contra ricos, tendo no Nordeste a força de sempre. Nordeste, aliás, que os sudestinos só frequentam para pagar uma fortuna nos serviços das praias.
Do outro lado, o clã Bolsonaro que apresenta uma dificuldade imensa de confiar em alguém que não carregue o sobrenome. Com o patriarca preso, facilitaram a vida de Tarcísio de Freitas que nunca mostrou convicção para encarar um embate direto contra Lula e a máquina da União. Contudo, ele seria o nome mais flexível para convencer os eleitores mais alheios à polarização. A pergunta é se Flavio vai conseguir aliviar o radicalismo para tentar desbancar o 4º mandato do petista. Além disso, já tem que administrar um passivo deixado por seu irmão Eduardo. Acima de tudo está o fato que nenhum dos dois lados consegue assumir uma postura mais humilde, justamente por já ter praticamente garantido lugar no segundo turno. A arrogância é cega e não permite enxergar que derrota é derrota, ou algum torcedor fica satisfeito de perder um jogo de final? (Foto: imagem criada por IA)
Igor Carvalho de Lima – Dono do Instituto Viva Voz, mestre em administração mercadológica e marketing, com especialização no comportamento do consumidor e do eleitor.










