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A sociedade, o governo, e os planos de desenvolvimento social e econômico

Paulo César de Oliveira
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O governo está lançando um programa para sacudir a economia nacional e agitar a área social. Na economia quer recuperar o tempo perdido, não com a pandemia da covid 19, mas com sua própria inércia e despreparo para agir. Não se pode negar a competência da área econômica do governo, embora ela tenha um discurso antigo, superado em muitos pontos, mas é preciso admitir que por razões várias, não conseguiu fazer nada até agora. Neste aspecto há economistas que asseguram que a pandemia foi politicamente benéfica, pois a ela se atribuiu fracassos na política econômica que, em outras circunstâncias, seriam debitados aos magos do governo. Bom, mas o governo Bolsonaro está chegando ao final de sua primeira metade com o presidente já sobre o palanque e entusiasmado com os bons números das últimas pesquisas de avaliação de seu desempenho. Na verdade, pesquisas eleitorais. É hora, portanto, do reforço no marketing eleitoral com sacudidas na área social com a expansão de programas sociais, na prática fusões, e, como manda a velha prática, troca de nomes para que eles passem a ser do governo atual, não dos passados. E isto, eleitoralmente, sempre traz bons resultados. Na essência, pelo que se conhece dos planos do governo, não há novidades a serem comemoradas a não ser, se efetivadas, as desonerações defendidas desde sempre pelo ministro Paulo Guedes que, em contrapartida, anda com ideia fixa na criação de novos impostos. Mas as medidas que o governo considera bombásticas para mudar o perfil de nossa economia e fortalecer, como nunca, a área social, são mesmo suficientes para o momento atual? Estamos realmente nos estruturando para uma nova economia, para uma nova realidade social, ou apenas armando um “voo da galinha” até o ninho de 2022? Esta é a grande questão. A pandemia desnudou situações preocupantes da nossa economia que mostrou fragilidades e dependências externa. Certo que a pandemia atingiu a todos de uma forma inesperada e ninguém estava preparado para o atendimento das novas demandas. Mas nossa capacidade de reação foi lenta. Esta é uma questão que precisa ser analisada com maior profundidade, não apenas pelo governo, mas talvez com maior interesse pela iniciativa privada, que vive a gritar por mudanças. Mas nós estamos preparados para elas? Temos estruturas para crescer ou precisamos, governo e iniciativa privada, nos prepararmos melhor. Crescimento desordenado não raro é tão complicado, ou até mais complicado, do que o não crescimento. Inflação descontrolada pode ser uma das consequências mais perversa deste descontrole. O momento recomenda pés no chão e olhar no futuro. Ainda não é possível visualizar o que existe depois da curva. Nem por isso podemos ficar parados à espera de milagres. Milagres econômicos muito menos. Aliás, nesta área já assistimos alguns de triste memória. Mas não podemos ser céticos. A receita, penso, é otimismo com moderação e a conscientização de todos os atores de que o país não é uma ilha. É preciso crescer sim, mas em sintonia com o mundo. O desenvolvimento fundado na ciência já se mostrou mais sólido do que o ancorado pela fanfarronice e populismo. O agronegócio é um ótimo exemplo do que a seriedade e o profissionalismo podem apresentar como resultado. Excluindo, claro, a ação dos irracionais que, pela ganância e a omissão do governo, podem colocar fogo em nossa reputação.

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