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Bolsonarismo: entre o êxtase do mito e a agonia do controle

Paulo César de Oliveira
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(foto: Pablo Porciuncula/AFP)

Mesmo em liberdade, Jair Bolsonaro (foto: Pablo Porciuncula/AFP) mal conseguia domesticar seus aliados. A lógica era simples: quem destoava virava traidor. O bolsonarismo não se organizou por virtudes de liderança, mas pela disposição de descer ao vale-tudo eleitoral que antes criticava. Preso, o problema migrou para os filhos, agora encarregados de impor disciplina sem o carisma do pai. Carlos Bolsonaro gerou atrito ao mirar o Senado por Santa Catarina. Flávio Bolsonaro enquadrou Michelle Bolsonaro por interferências regionais. Tarcísio de Freitas incomoda por parecer eleitoralmente mais viável e Nikolas Ferreira também, por mostrar autonomia ao liderar a caminhada a Brasília sem pedir bênção. Tentaram diluir seu protagonismo, mas não conseguiram. Michelle o exaltou como “líder”. Tarcísio lhe deu os créditos. O bolsonarismo vive o paradoxo: precisa de novos nomes, mas teme quem não aceita coleira.

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