Antes que as pesquisas capturem o humor do eleitor, os deputados revelam o próprio instinto de sobrevivência. Entre 6 de março e 5 de abril, abre-se a janela partidária, período em que podem trocar de legenda sem perder o mandato. É um movimento estratégico: escolher o partido certo pode significar reeleição ou desaparecimento. Desde 1998, apenas 56% conseguem voltar à Câmara, o que transforma cada migração em cálculo de risco. Em 2022, 120 parlamentares mudaram de sigla. O PL concentrou apostas e ampliou sua força eleitoral, mas perdeu fôlego após a prisão de Jair Bolsonaro, recuando para 87 deputados. Já o PSD, de Gilberto Kassab (foto Pedro França/Agência Senado), avançou antes mesmo da nova janela, sinalizando onde parte da elite política enxerga melhores chances. Mais que oportunismo, essas trocas formam um mapa antecipado do poder, em um reconhecimento silencioso de para onde o vento sopra.
Ensaio geral da sucessão presidencial
A janela partidária não apenas redesenha a Câmara, como ela antecipa expectativas sobre o Planalto. Se o PL atrair mais deputados, o movimento sinaliza confiança numa vitória de Flávio Bolsonaro. Se o fluxo pender à esquerda, revela aposta na continuidade de Lula. Já o fortalecimento de siglas intermediárias como PP, União Brasil e MDB indicaria cautela e um reconhecimento de que a disputa segue aberta demais para compromissos definitivos. Além disso, partidos com mais deputados recebem mais recursos, ampliam sua capacidade eleitoral e tendem a crescer ainda mais. Assim, cada filiação não é apenas escolha individual, mas parte de uma reorganização gradual das forças que definirão o próximo governo.










